Missão brasileira vai à Nasa explicar atraso de cronograma

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) deve enviar uma missão brasileira à Nasa, agência espacial norte-americana, para discutir a situação brasileira dentro do projeto de construção da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês). O Brasil está atrasado no cronograma de construção das peças que ficaram sob sua responsabilidade, e a Nasa recentemente questionou o governo brasileiro sobre o cumprimento dos prazos."Já propus ao administrador da Nasa o envio de uma missão brasileira, que irá lá discutir o que se pode fazer, de maneira que adaptemos os compromissos que temos à nossa realidade financeira", explicou o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg. Ele participou nesta terça-feira da abertura do Salão e Fórum de Inovação Tecnológica e Tecnologias Aplicadas nas Cadeias Produtivas, no Expo Center Norte, em São Paulo."Vamos negociar, nas próximas semanas, a manutenção da contribuição brasileira", disse. "Não somos inconscientes de manter um compromisso se não temos os recursos necessários, mas, dentro dos recursos que temos, acredito que podemos fazer algo importante com relação à ISS", completou. A permanência do astronauta brasileiro Marcos César Pontes no treinamento que está fazendo na Nasa não tem vínculo direto com a participação do Brasil no projeto da ISS, segundo o ministro, apesar de ser este um item da negociação entre a Nasa e a Agência Espacial Brasileira (AEB)."De qualquer forma, estamos preocupados e temos presentes essa questão, queremos resolver tudo de maneira a que ele possa realizar sua missão até o final", disse o ministro. Não há uma data estipulada para que o astronauta brasileiro participe de uma missão no espaço.No compromisso assumido pela AEB com a Nasa, em outubro de 1997, está previsto o investimento de cerca de US$ 120 milhões destinados à construção, pela indústria nacional, de alguns itens e equipamentos. Em troca, o Brasil poderá usar os serviços dos ônibus espaciais norte-americanos, enviando ao espaço cargas de até 130 quilos, utilizar durante 18 minutos ao dia a janela de observação da ISS e as bandejas de experiências fora da ISS e ter um tripulante brasileiro na ISS.Os problemas financeiros do governo federal, que provocaram um contingenciamento no orçamento de várias pastas, incluindo o MCT, causaram um atraso nos projetos. O orçamento previsto para o MCT este ano era de R$ 1,8 bilhão, mas cerca de 40% desse valor ainda está retido no caixa do Tesouro.

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