Missa lembra os 65 anos da morte de Lampião

A mesma dificuldade que recentemente enfrentou o governo americano, tendo que mostrar as fotografias dos filhos de Sadam Hussein mortos para comprovar seu desaparecimento, a polícia alagoana teve em 28 de julho de 1938 - há exatos 65 anos - para provar a morte de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1898-1938), mais célebre bandido brasileiro. Mortos às margens do riacho de Angico, na fazenda do mesmo nome em Poço Redondo (SE), Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros tiveram as cabeças cortadas para provar aos sertanejos incrédulos sua morte. É que Lampião, amigo pessoal do Padre Cícero Romão Batista, gozava da fama de ter o "corpo fechado", no qual não entrava punhal nem balas de fuzil ou revólver. Não era à toa a fama. O pernambucano Lampião enfrentava há 20 anos - em alguns casos com retumbantes vitórias - as polícias militares e os civis contratados, chamados de cachimbos, de sete Estados nordestinos, conseguindo escapar de um esforço concentrado para matá-lo ou capturá-lo. As cabeças acabaram expostas em Maceió e outras capitais nordestinas. Só não foram levadas para o Rio, capital federal da época, porque houve uma resistência de intelectuais e de jornais, inclusive o Estado, contra a idéia de uma exposição, considerada um acinte à civilidade e inteligência dos brasileiros. De qualquer maneira, o assassinato de Lampião e parte do bando pela volante (grupo de policiais que perseguiam os bandoleiros na caatinga) do então tenente da PM alagoana João Bezerra causou um grande impacto no País e até no Exterior. O bandoleiro havia sido notícia em prestigiados veículos de imprensa como o The New York Times e o Paris Soleil. O "corpo fechado´, entrentanto, não resistiu aos tiros de fuzil e às balas das três metralhadores Hotchkiss levadas pelos soldados da volante. A morte do bandoleiro levou, menos de dois anos depois, à extinção do chamado cangaço independente - que não obedecia a nenhum coronel - Em 5 de maio de 1940, a volante do tenente José Rufino, o homem que mais matou cangaceiros, eliminava José Cristino da Silva Cleto, o Corisco, lugar-tenente de Lampião, que queria fazê-lo seu sucessor no comando do bando. missaO epílogo desse grande drama sertanejo será lembrado hoje com uma missa na grota de Angico, ao lado das pedras sobre as quais os cangaceiros armavam suas tordas (barracas) e onde há duas cruzes que lembram o combate. Entre os militares, foi morto na ocasião do último combate o soldado Adrião Pedro da Silva e ficou ferido o comandante João Bezerra. A filha de Lampião, Expedita Ferreira, que vive em Aracaju, e a neta, Vera Ferreira, participarão do ato, assim como o principal biógrafo de Lampião, Antonio Amaury Côrrea de Araújo. No fim de semana houve um seminário para lembrar a trajetória do bandoleiro e a história do cangaço.Veja o especial sobre Lampião, com fotos, notícias da época, cronologia, frases e música

Agencia Estado,

28 de julho de 2003 | 13h35

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