Miriam admite que pode haver atrasos em obras da Delta

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse nesta quarta que poderá haver atrasos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sob responsabilidade da Delta Construções, após a Controladoria-Geral da União (CGU) declarar a empresa inidônea.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

27 de junho de 2012 | 18h53

"Se for necessário, temos de pagar esse preço, mas não é esse o desenho original", disse Miriam, após cerimônia no Palácio do Planalto de anúncio de medidas para estimular a economia.

"Cada um dos contratos será analisado pra ver se há algum problema. Se não houver, as obras continuam normalmente. Se houver, elas (as obras) vão ser substituídas por outra empresa", disse Miriam.

Questionada se isso não poderia encarecer as obras, a ministra respondeu: "Gente, se tiver irregularidade, tem de ser mudado."

Em portaria assinada no último dia 12, o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, declarou a empresa Delta Construções S/A inidônea para contratar com a administração pública.

O processo constatou responsabilidade da Delta nas irregularidades, entre as quais superfaturamento e desvio de dinheiro público, apuradas na Operação Mão Dupla, realizada pela Polícia Federal em conjunto com a CGU e o Ministério Público, em 2010

Antes mesmo da declaração de inidoneidade, obras da Delta já haviam passado por problemas.

Conforme informou o jornal "O Estado de S.Paulo" em maio, após o escândalo do contraventor Carlinhos Cachoeira vir à tona, a construtora demitiu 80% dos seus mil operários de um dos principais canteiros da transposição das águas do Rio São Francisco, no município cearense de Mauriti, encostou os 145 caminhões, escavadeiras e tratores e rompeu contrato com as empresas agregadas, que saíram da cidade sem pagar as contas nas oficinas, lojas de autopeças e imobiliárias familiares.

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