Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Miranda diz à PF que tem ‘medo’ de Lira e de caciques do Centrão

Em depoimento, deputado responde a questionamento de delegado sobre ter hesitado em envolver nome Ricardo Barros à CPI da Covid

Lauriberto Pompeu e Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2021 | 16h44

BRASÍLIA – Ao depor no inquérito que investiga corrupção na compra da vacina indiana Covaxin, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou ter “medo” do presidente da Câmara, Arthur Lira, do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e do líder do governo, deputado Ricardo Barros. Todos os três políticos apontados como caciques do Progressistas.

A afirmação foi dada após o deputado do DEM responder a um agente da Polícia Federal, que questionou sobre o motivo de Miranda ter hesitado em envolver Ricardo Barros no caso Covaxin, quando falou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. “Eu tenho medo deles. Eu tenho medo do (Arthur) Lira, do Ciro Nogueira e do Ricardo Barros, que são os nomes que naquela tarde (do depoimento à CPI) apareceram”, relatou o parlamentar.

Ainda no mesmo depoimento, prestado na semana passada à PF, Miranda declarou ter ouvido do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello que o presidente da Câmara havia pressionado para que o general saísse do cargo. Lira e Pazuello negaram o teor da conversa.

“Eu tenho medo deles. Eu tenho de verdade. Eu não pedi segurança por medo de um maluco na internet. Não tenho medo dessas coisas, porque Deus protege a gente. Eu tenho medo dessas pessoas, pelos olhos do presidente”, completou. Apesar disso, Miranda não relatou qual seria a participação de Ciro Nogueira, nem de Arthur Lira, no caso da compra de vacinas.

Também à Polícia Federal, o deputado do DF afirmou que, durante reunião no dia 20 de março, Bolsonaro teria reclamado do Centrão, quando ouviu a denúncia de irregularidades da negociação pela Covaxin. “Eu não falei isso na CPI. O presidente falou: os caras querem me foder, esses caras do Centrão querem me foder”, disse.

O governo decidiu suspender a aquisição da vacina indiana em 29 de junho, após o deputado Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, denunciarem um suposto esquema de corrupção no governo para a compra do imunizante. Os dois disseram que levaram o caso ao presidente Jair Bolsonaro, que teria atribuído irregularidades a um “rolo” do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros.

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar se houve prevaricação do presidente após ser informado sobre o suposto esquema, ou seja, se ele deixou de tomar as providências para esclarecer as suspeitas. Na época do contrato da Covaxin, o imunizante ainda não havia sido autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Procurado, Ricardo Barros negou qualquer envolvimento na negociação por vacinas. Ciro Nogueira não retornou aos pedidos da reportagem.

"Não tive acesso ao depoimento do deputado Luis Miranda. O posicionamento do parlamentar, no entanto, é amplamente conhecido por inúmeras entrevistas que concedeu, ou seja, não há qualquer fato que indique meu envolvimento na negociação com a vacina Convaxin", declarou o líder do governo.

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