Minoria abre mão de recursos

Apesar de os senadores que não abrem mão da verba indenizatória afirmarem que o benefício é imprescindível à atividade legislativa, alguns parlamentares não gastaram um único centavo em 2008 ou usaram com reserva. Na lista de senadores e suplentes feita pelo Estado, quatro deles não usaram o dinheiro colocado à disposição: João Vicente Claudino (PTB-PI), Marco Maciel (DEM-PE), Pedro Simon (PMDB-RS) e Jefferson Praia (PDT-AM).Outros que figuram na lista dos senadores mais atuantes conseguiram passar o ano todo com gastos moderados. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), por exemplo, usou R$ 15.696 ao longo de 2008. Tasso Jereissati (PSDB-CE) utilizou R$ 27.865.Em seu quarto mandato como senador, Simon, que nunca usou a verba indenizatória, diz ser contra o recebimento do recurso. "Defendo a tese de que a gente deveria ter a verba do salário. Se ele é pouco, tem de aumentar", afirma. Simon lembra que os parlamentares já têm direito a telefone, apartamento, passagens aéreas. "De repente, inventaram mais R$ 15 mil para pagar jantar, alugar carro, contratar jornalista. Não concordo", ressalta.O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), concorda que o melhor seria que esses recursos fossem transformados em subsídio. "É preciso que haja uma discussão aberta sobre essa questão, mas vejo pouco interesse em se tratar desse assunto na Casa", afirmou.Simon diz estar certo de que os senadores não têm interesse de fazer essa discussão sobre o fim da verba indenizatória. Em 2007, uma liminar da 3.ª Vara Federal do Distrito Federal chegou a suspender o pagamento do benefício na Câmara e no Senado. A ação, derrubada logo em seguida, foi proposta pelo ex-deputado João Cunha, sob o argumento de que o benefício era inconstitucional.

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