Ministros vão a campo rebater dados sobre miséria

Aloizio Mercadante e Marcelo Neri defendem ‘transparência’ na análise de estudo do Ipea

Elizabeth Lopes, Roldão Arruda e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2014 | 22h53

Dois ministros do governo da presidente Dilma Rousseff saíram a campo nesta quinta-feira, 6, para discutir e rebater dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontando que o número de pessoas na extrema miséria teria aumentado entre 2012 e 2013, após período de dez anos de queda. A redução da miséria no País tem sido uma das principais vitrines dos governos Lula (2003-2010) e Dilma e foi uma das principais bandeiras da campanha petista neste ano.

A informação de que a miséria teria voltado a dar sinais de crescimento repercutiu fortemente no governo.

Em entrevista coletiva em São Paulo, o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, reconheceu que existem problemas, mas que são pontuais. Também disse que, de maneira geral, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) utilizados no estudo do Ipea, são “positivos” e “alvissareiros”.

Neri também rebateu informações de que o governo teria segurado a divulgação do relatório do Ipea no período eleitoral, para não prejudicar a candidatura de Dilma. Segundo o ministro, a decisão de não divulgar os dados foi adotada pela direção do Ipea antes do relatório ficar pronto e seu intuito era não interferir no processo eleitoral. Ele afirmou que, de maneira geral, os dados da Pnad analisados pelo Ipea são tão bons que teriam favorecido a candidata à reeleição. “Se tivesse divulgado o relatório, as críticas teriam sido de que o Ipea estaria fazendo propaganda.”

Em Brasília, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que o Palácio do Planalto quer que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) analise com mais “profundidade” os dados sobre crescimento da pobreza, recolhidos pela Pnad. “Queremos que o IBGE analise com mais profundidade a amostra porque todos os outros índices mostram que a pobreza caiu e que esse indicador de renda zero pode ter algum problema metodológico. De qualquer forma, os dados são para ser analisados, debatidos, com toda a transparência”, disse o ministro a jornalistas, após cerimônia no Palácio do Planalto de homenagem a servidores.

Na quarta, Neri tentou desqualificar o estudo do Ipea, mas nesta quinta não contestou os dados. Ele preferiu ressaltar que os números fazem parte de um contexto muito mais amplo, que é positivo. “O que o Brasil precisa saber é que o rendimento global dos brasileiros está crescendo mais do que o PIB”, afirmou. “A Pnad mostra que o crescimento de renda real per capita, isto é, já descontada a inflação e o crescimento populacional, foi 3,5% contra 1,6% do crescimento do PIB per capita”, explicou.

Os dados do Ipea apontam que, entre 2012 e 2013, o número de pessoas que vivem na extrema pobreza no País passou de 3,6% da população para 4%. Os números mostram que subiu em cerca de 370 mil pessoas o contingente que vive com menos de R$ 70 por mês. O aumento é o primeiro desde 2004.

Segundo Neri, a pobreza caiu e continua caindo. “Há uma variação em relação à extrema pobreza dentro da margem de erro estatística da pesquisa”.

Tudo o que sabemos sobre:
MiseriaIpeaIBGE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.