Ministros retomam julgamento do mensalão sem saber o que será votado

Membros do STF e assessores dizem não saber se o relator continuará a votar ou se será a vez de o revisor se posicionar

Mariângela Gallucci e Ricardo Brito, da Agência Estado,

19 de agosto de 2012 | 19h27

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem ir para a sessão de julgamento desta segunda-feira, 20, sem saber o que será votado pela Corte. Apesar de parecer um absurdo, integrantes e assessores confidenciaram no domingo não saber se o relator, Joaquim Barbosa, continuará a votar o processo do mensalão ou se será a vez de o revisor, Ricardo Lewandowski, posicionar-se sobre a acusação do Ministério Público Federal contra o deputado federal e candidato a prefeito de Osasco João Paulo Cunha (PT-SP).

Barbosa defendeu o fatiamento da votação do processo, seguindo a divisão feita na denúncia pelo Ministério Público. Depois de ter defendido na quinta-feira a condenação de João Paulo por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, Barbosa poderá apresentar a parte de seu voto sobre as acusações que pesam contra o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, completando, assim o item referente a desvio de recursos públicos da denúncia.

Pizzolato é suspeito de participar de supostas irregularidades em contratos da instituição com a DNA Propaganda e de desvio envolvendo verbas de publicidade do BB oriundas do Fundo Visanet.

O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, deve conversar antes da sessão com Barbosa para saber qual rito será adotado. A equipe de Ricardo Lewandowski, por sua vez, passou o final de semana no Supremo para reorganizar o voto do ministro, conforme a ordem de votação estabelecida por Barbosa, na expectativa de que o revisor apresente seu voto sobre a situação de João Paulo Cunha.

 

Diálogo

 

A falta de previsão sobre o que ocorrerá na sessão desta segunda-feira é mais uma demonstração de que não existe diálogo entre os ministros do STF. Os problemas de relacionamento entre eles ficaram claros durante o julgamento, com uma série de troca de farpas públicas.

O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que, assim como o Ministério Público e a defesa, foi surpreendido pelo novo rito de votação. Mello disse que se preparava para votar somente no final de setembro. Mas, com a mudança, ele acredita que deve começar a votar nesta semana ou na próxima.

O ministro disse que não sabe se votará logo no caso João Paulo ou se o relator continuará a se manifestar sobre o envolvimento do ex-diretor de marketing do BB. Mello aposta que o colegiado julgará o petista para, depois, prosseguir com a análise de Pizzolato. Ele, que tem distribuído cutucadas aos colegas de Corte durante o julgamento, pretende hastear a bandeira branca. "Espero que a paz reine no plenário, porque o revisor deverá ter a palavra, não pode ser interrompido e dará seu voto", afirmou. "Eu, na segunda-feira, e talvez na quarta, serei um simples espectador", completou.

 
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