André Dusek
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Ministros reelegem Cedraz para comandar o TCU por mais um ano

Presidente da corte foi alvo de campanha do Ministério Público e de auditores, que tentaram barrar sua recondução ao cargo por causa de denúncias envolvendo o filho, Tiago Cedraz, investigadas na Operação Lava Jato; Raimundo Carreiro continua como vice-presidente

Luísa Martins, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2015 | 18h00

BRASÍLIA - Apesar de estar na mira de uma sindicância interna e de ser citados nas investigações da Operação Lava-Jato, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, foi reeleito por unanimidade nesta quarta-feira, 2, após votação dos nove ministros titulares. O vice-presidente, Raimundo Carreiro – suspeito de irregularidades relacionadas à autorização da obra bilionária de Angra 3, da qual foi relator -, também teve o mandato renovado por mais um ano.

O anúncio, revelado com mais de duas horas e meia de atraso, frustrou o Ministério Público de Contas (MPC) e auditores do TCU, que fizeram forte campanha nas redes sociais para que outro ministro assumissem os cargos, frente às denúncias que desgastam a corte. Dezenas de servidores presentes à sessão viraram as costas para o plenário, em protesto. Às 17h, eles ainda estavam reunidos para debater a eleição, uma situação considerada atípica para os padrões do tribunal.

"Tive o privilégio de contar, durante esse período difícil que atravessa a nação brasileira, com o apoio dos colegas ministros e servidores dessa casa. Quero agradecer, do fundo do coração, a confiança. O TCU atravessou as dificuldades sem sair dos trilhos, respeitando valores éticos e morais", disse Cedraz, antes do resultado (os votos foram depositados em uma urna por cada ministro, em ordem de antiguidade no cargo).

Ele afirmou, ainda, que os "temas que preocupam" o TCU foram "exaustivamente discutidos e dissecados" durante a tarde, que "os episódios que estão rondando a instituição não nos atingirão" e que o órgão "está imune a qualquer ação deletéria à sua atividade".

A sindicância interna apura um possível tráfico de influência envolvendo o filho do presidente, o advogado Tiago Cedraz, cujo escritório já atuou em vários processos no tribunal. Tiago passou a ser investigado na Operação Lava-Jato após o dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, afirmar em delação premiada que pagou R$ 1 milhão para que a empreiteira fosse favorecida. Ele também teria recebido pagamentos mensais de R$ 50 mil para fornecer a Pessoa informações privilegiadas do tribunal.

A investigação criminal corre perante o Supremo Tribunal Federal, pois, conforme o delator, parte dos pagamentos pode ter sido repassada a Carreiro, relator de processo sobre Angra 3. Em 2012, seguindo o voto do relator e contrariando a área técnica, a corte liberou a concorrência para a usina, o que beneficiou a UTC. Ano passado, a empreiteira - apontada como chefe do clube de empreiteiras que fraudava negócios com a Petrobras - assinou contrato para dar início às obras na usina.

Tiago Cedraz, seu pai e Raimundo Carreiro negam envolvimento nas supostas irregularidades.

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