Ministros reagem e negam pressão no STF sobre mensalão

Lewandowski, um dos dez ministros do STF, diz que 'todo mundo votou com a faca no pescoço'

Leonencio Nossa, da Agência Estado, Agencia Estado

30 de agosto de 2007 | 16h08

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram a suposta declaração do colega de plenário Ricardo Lewandowski de que, no julgamento do mensalão, "todo mundo votou com a faca no pescoço". "Está para nascer alguém que coloque uma faca no meu pescoço para decidir", afirmou o ministro Carlos Ayres Britto. "Tivemos um julgamento rigorosamente técnico, ninguém foi acuado ou pressionado."  Veja também: Especial: quem são os 40 do mensalão e de que crimes são acusadosDirceu coloca julgamento do mensalão no STF sob suspeita A presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, também se manifestou. Ela divulgou nota para reafirmar que a instituição está imune a pressões externas. "O Supremo, que não permite nem tolera que pressões externas interfiram em suas decisões, vem reafirmar o que testemunham sua longa história e a opinião pública nacional, que são a dignidade da corte, a honorabilidade de seus ministros e a absoluta independência e transparência dos seus julgamentos", escreveu Gracie na nota. Ela não cita Lewandowski, a ministra Ellen Gracie ainda afirmou: "Os fatos, sobretudo os mais recentes, falam por si e dispensam maiores explicações".  Lewandowski, por sua vez, procurou nesta quinta-feira, todos os outros nove integrantes do STF para se explicar. "Ele (Lewandowski) está muito aborrecido, muito constrangido", relatou o ministro Marco Aurélio Mello. "O ministro Lewandowski disse ter falado com o jornal Folha de S. Paulo (que divulgou as declarações) que teve mesmo a conversa, mas os fatos não são como foram estampados", completou. "Ele esclareceu que nem todos os ministros estavam com a faca no pescoço." Marco Aurélio avaliou que, caso seja verdadeira, a declaração de Lewandowski, dita numa conversa por telefone, é um "pecadilho lamentável". "Espero que ele não tenha nos julgado por ele próprio", ironizou. A uma pergunta sobre o comportamento de Lewandowski, Marco Aurélio brincou: "Ainda não ocupo a cadeira de psicanalista". Marco Aurélio ainda comentou a possibilidade de Lewandowski ser interpelado judicialmente pelo ministro Eros Grau, acusado por ele de "trocar voto" no julgamento da denúncia do mensalão. "Isso seria uma autofagia, o que desgastaria o perfil do Supremo."  As palavras de Lewandowski, supostamente ditas num telefonema a um amigo, foram divulgadas na edição desta quinta-feira, 30. Os ministros também reagiram a uma entrevista do principal réu do mensalão. O deputado cassado José Dirceu disse que o julgamento, por conta das declarações de Lewandowski, estava sob suspeita. "Em hipótese alguma", disse o ministro Gilmar Mendes. "Vocês viram como isso foi analisado no detalhe", disse. "Uma característica forte deste tribunal é não ceder à pressão."  

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