Ministros Pansera e Marcelo Castro reforçam apoio do PMDB à presidente Dilma

À frente das pastas Ciência e Tecnologia e Saúde, peemedebistas defenderam a permanência do partido em base do governo; Marcelo Castro afirmou que não há 'sombra de crime de responsabilidade' para justificar impeachment

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2016 | 13h20

Brasília – Dois dos sete ministros do PMDB no governo, Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) rechaçaram nesta quarta-feira, 23, a ideia de o partido desembarcar do governo neste momento de crise e reforçaram o apoio à presidente Dilma Rousseff. “Seria uma grande irresponsabilidade você ter ministros da importância como Ministério da Saúde, Minas e Energia, Agricultura, num momento de crise tão aguda como essa, a gente esvaziar os ministérios”, disse Pansera, que ressaltou que essa era uma opinião dele e não do partido.

“Aí eu pergunto: e os mais de 1.000 cargos que o PMDB exerce no governo hoje. Como é que farão? Irão esvaziar também? Irão levar o debate político ao extremo de paralisar o País ou vamos agir com responsabilidade diante de um momento tão duro pelo qual o País passa?”, questionou.

Castro disse que pensava “100% igual ao Celso Pansera” e destacou que escolha de presidente da República não é feita pelos parlamentares. “O mandato dela é dado diretamente pelo povo brasileiro, que tem dia e hora de começar, dia e hora de terminar”, completou, ressaltando que o impeachment em curso na Câmara é equivocado já que no caso da presidente Dilma não existe “nem sombra de crime de responsabilidade”.

O ministro da Saúde afirmou ainda que o PMDB é um partido grande com diferentes correntes que têm que ser respeitadas. “O PMDB tem que ser entendido dessa maneira: é um partido que está dividido”, afirmou destacando que o mais importante agora é que a sigla garanta governabilidade. “É um partido da estabilidade política, é um partido da previsibilidade. O País está precisando do PMDB mais do que precisou em qualquer época. Então, não é a hora de sair do governo”, afirmou. “Pelo contrário. É hora de um esforço maior para permanecer no governo e ajudar a governabilidade.”

Castro disse ainda que a ala oposicionista do partido é “desde sempre” contra a presidente e não vai mudar. “São grupos dentro do partido perfeitamente identificáveis, que são a favor do impeachment, contra o governo da presidenta Dilma. E são desde sempre. Esses não vão mudar de opinião, como nós também não vamos mudar de opinião.”

Apesar de defender que o partido não deve sair do governo, Pansera e Castro não disseram qual posição tomarão caso a decisão seja tomada na reunião da sigla do próxima dia 29. Pansera não quis comentar se acataria a decisão do partido de uma eventual saída, entretanto, disse que caso seja necessário “continuará defendendo” a presidente Dilma no Congresso. “Se for necessário defenderei também como deputado, significa que se for necessário voltarei para voltar contra o impeachment”, afirmou, ressaltando que não existe justificativa jurídica para o impeachment.

O ministro da Ciência e Tecnologia ressaltou que a estratégia do PMDB só será definida no dia 29 e afirmou acreditar que os ministros têm “uma posição unificada” de permanecer no governo. Além da Saúde, Ciência e Tecnologia, o PMDB tem a vice-presidência e o comando do ministério de Minas e Energia, Agricultura, Turismo e Portos.

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