Ministros do STJ falam em 'roubalheira'

Ao analisarem um dos habeas corpus de investigados na Operação Lava Jato, ministros da 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça criticaram ontem a "roubalheira" na Petrobrás e as elevadas quantias envolvidas no suposto esquema de propina e corrupção envolvendo a estatal.

BEATRIZ BULLA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2014 | 02h02

"Acho que nenhum outro país viveu tamanha roubalheira. Pelo valor das devoluções, algo gravíssimo aconteceu", disse o ministro Felix Fischer.

No julgamento, os ministros negaram pedido de liberdade a João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, suspeito de gerenciar contas do doleiro Alberto Youssef no exterior.

O relator do caso no STJ, ministro Newton Trisotto, disse que as investigações apontam que Procópio desempenhava papel relevante no esquema de lavagem de dinheiro de origem ilícita e destacou que estão presentes os fundamentos para manter a prisão preventiva. O habeas corpus não foi conhecido, por decisão unânime na corte, por não haver ilegalidade evidente.

Trisotto já rejeitou a análise de outros habeas corpus de investigados na Lava Jato. Na sessão de ontem, ele afirmou que "poucos momentos" na história brasileira exigiram "tanta coragem do juiz" como o que o País vive nos últimos anos. "Coragem para punir os políticos e os economicamente fortes, coragem para absolvê-los quando não houver nos autos elementos para sustentar um decreto condenatório", disse.

Fischer criticou o esquema e falou sobre as quantias envolvidas: "O que é isso? Em que país vivemos? Os bandidos perderam a noção das coisas. Como podem se apropriar desse montante?".

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