Ministros do STJ criticam 'roubalheira' na Petrobrás

Ao analisar habeas corpus de um dos investigados da Lava Jato, membros da corte fizeram críticas ao escândalo envolvendo a estatal

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 23h43

Brasília - Ao analisarem um dos habeas corpus de investigados na Operação Lava Jato, ministros da 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça criticaram nesta terça-feira, 25, a "roubalheira" na Petrobrás e as elevadas quantias envolvidas no suposto esquema de propina e corrupção envolvendo a estatal.

"Acho que nenhum outro País viveu tamanha roubalheira. Pelo valor das devoluções, algo gravíssimo aconteceu", disse o ministro Felix Fischer.

No julgamento, os ministros negaram pedido de liberdade a João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, suspeito de gerenciar contas do doleiro Alberto Youssef no exterior.

O relator do caso no STJ, ministro Newton Trisotto, disse que as investigações apontam que Procópio desempenhava papel relevante no esquema de lavagem de dinheiro de origem ilícita e destacou que estão presentes os fundamentos para manter a prisão preventiva. O habeas corpus não foi conhecido, por decisão unânime na corte, por não haver ilegalidade evidente.

Trisotto já rejeitou a análise de outros habeas corpus de investigados na Lava Jato. Na sessão desta terça, ele afirmou que "poucos momentos" na história brasileira exigiram "tanta coragem do juiz" como o que o País vive nos últimos anos. "Coragem para punir os políticos e os economicamente fortes, coragem para absolvê-los quando não houver nos autos elementos para sustentar um decreto condenatório", disse.

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