Ministros do STF suspeitam que estão sendo grampeados pela PF

Segundo a "Veja", gravações não autorizadas de conversas telefônicas estariam sendo usadas contra os juízes

18 de agosto de 2007 | 18h05

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) suspeitam de que estão tendo conversas telefônicas grampeadas pela Polícia Federal. Segundo reportagem publicada pela revista Veja neste sábado, 18, cinco juízes do Supremo afirmaram desconfiar dos grampos, sendo que três deles têm como principal suspeita a PF; ao todo, o Supremo conta com 11 juizes.  Os ministros Sepúlveda Pertence, Cezar Peluso, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Gilmar Mendes são alguns ministros que suspeitam dos grampos. Há casos de vendas de gravações, de vazamento de informações para jornalistas e de suspeita de traição. Ministros envolvidos em julgamento de pessoas presas da PF também estariam sendo grampeados. O ministro Marco Aurélio Mello, por exemplo, contou que foi informado de que gravações de seus telefonemas estavam sendo negociadas em Campo Grande.  Segundo a Veja, o ministro Gilmar Mendes, que trabalhou da Operação Navalha, contou que foi consultado por um jornalista sobre a possível soltura de um dos presos na operação. Dias antes, havia tido uma conversa com um procurador sobre a necessidade de manter algumas pessoas presas. Ao questionar o procurador, que informou não ter comentado com ninguém sobre o asunto, o juiz teve a certeza de que era monitorado. De acordo com a revista, o ministro Sepúlveda Pertence teria antecipado seu pedido de apostendoria, feito na semana passada, por conta dos grampos. O juiz já foi cotado para assumir o Ministério da Justiça, órgão que controla a Polícia Federal. Ministros que julgam pessoas presas pela PF também estariam sendo alvo das gravações telefônicas. Cezar Peluso, responsável por casos da Operação Hurricane (furacão, em inglês), que investigou a susposta compra de sentenças judiciais, afirmou que, em setembro de 2006, começou a desconfiar que seus telefones estavam com chiados. À época, ele contratou uma empresa, que também detectou gravações ilegais nas linhas do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, e Marcelo Ribeiro, do Tribunal Superior Eleitoral. Além disso, os ministros acusam a manipulação indevida de conversas gravadas. Segundo eles, é importante que a íntegra dos diálogos seja divulgada, não apenas trechos. Como exemplo, citam o caso de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que teve uma conversa com uma suposta amante divulgada. Quando a íntegra da conversa foi analisada, ficou compravo que, na verdade, quem estava ao telefone era o motorista do ministro.

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