Ministros do STF negam boatos de acordo em votos do mensalão

Boatos surgiram após Ellen Gracie convoca reunião 'secreta' com ministros na véspera do julgamento

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

21 de agosto de 2007 | 18h00

Diante da expectativa do julgamento "histórico" do mensalão, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, convocou um encontro "secreto" no início da noite desta terça-feira, 21, com ministros da casa para acertar detalhes das sessões sobre o caso que abalou o governo Lula. Um ministro, no entanto, quebrou o acordo de sigilo e informou à imprensa sobre a reunião. Daí em diante, foi um festival de entrevistas e divulgação de dados por ministros e assessores. Tudo para negar a notícia de que havia a tentativa de acordo de votos.   Veja também:   Quem são os 40 do mensalão  Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram  Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão  Veja o flagra de Marinho        A própria Ellen Gracie, numa cena rara, esteve no comitê de imprensa do STF para falar da reunião "preparatória" do julgamento, que não estava na agenda que divulgou. Ela tentou demonstrar que a reunião era mais para evitar deslizes e surpresas diante dos holofotes. "Nosso objetivo é que o julgamento ocorra na mais absoluta tranqüilidade", disse. "É um julgamento extenso e complexo, não apenas pela relevância, mas pelo número de acusados, 40 no total", afirmou. "Não temos muita coisa para inventar", disse a ministra.   O ministro Celso de Mello avaliou que o julgamento será uma "verdadeira maratona". Decano do tribunal, ele comparou o caso do mensalão com o processo contra o ex-presidente Fernando Collor, nos anos 1990. "Esse (mensalão) é um processo multitudinário, porque tem 40 denunciados, cinco vezes mais que o número de denunciados do caso Collor", observou.   Celso de Mello e o também ministro Ricardo Lewandowski fizeram questão de negar boatos de que a reunião foi para discutir votos. "Ninguém sabe qual vai ser o voto de cada um", afirmou Mello. "Até porque as sustentações orais podem mudar os votos dos ministros", completou Lewandowski. Nem todos foram à reunião convocada por Ellen Gracie. Foi o caso do ministro Marco Aurélio Mello. Durante o encontro, os ministros iriam discutir um possível pedido de adiamento do julgamento por parte da defesa dos acusados, além de outras questões de ordem.   Antes da reunião com Ellen Gracie, o ministro relator do caso no STF, Joaquim Barbosa, fez questão de ressaltar que não antecipa seu voto. Barbosa disse que sua decisão não sofrerá influência do Palácio do Planalto. "O governo não funciona dentro do meu gabinete", afirmou. Ele disse estar "sereníssimo" em relação ao julgamento evitando, inclusive, confirmar se seu voto já estava fechado. "Isto é um trabalho sempre em evolução", disse. Sobre a reunião com a ministra Ellen Gracie, Barbosa informou que serão discutidos problemas que podem surgir durante a série de sessões. Citou, entre os pontos da reunião, pedidos de mais tempo por parte dos advogados, a ordem das falas e possíveis pedidos de adiamento do julgamento. "A reunião é pouco usual, mas temos de tomar precauções para não sermos surpreendidos", disse.O ministro Carlos Ayres Brito, que acompanhou Barbosa na entrevista, disse que a reunião não foi divulgada com mais antecedência por se tratar de um encontro informal. Nem todos os ministros do Supremo atenderam o convite da ministra Ellen Gracie para participar do encontro. Uma ausência é a do ministro Marco Aurélio Mello.

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