Wilton Junior/Estadão
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Ministros do STF avaliam que delação de Odebrecht pode acenar para fim da Lava Jato

Detalhes da suposta negociação direta entre Dilma e o empreiteiro seriam o que faltava à possível última linha de investigação nas operações; a Procuradoria-Geral da República não confirmou o teor da delação

Gustavo Aguiar, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2016 | 13h31

BRASÍLIA - As informações contidas na delação do empresário Marcelo Odebrecht e que implicam diretamente a presidente afastada Dilma Rousseff em pagamento de propina para financiar a campanha eleitoral de 2014 estão sendo encaradas no Judiciário como uma peça-chave para amarrar as pontas das investigações e acenar para um fim da Operação na Lava Jato. 

Segundo interlocutores dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos pelo Estado, os detalhes da suposta negociação direta entre Dilma e Odebrecht para que o empreiteiro pagasse R$ 12 milhões à campanha presidencial eram o que faltava para ensejar a possível última linha de investigação nas operações. 

O episódio foi relatado por Odebrecht na delação negociada com o Minsitério Público Federal, segundo reportagem deste sábado publicada na revista Istoé. O caso, no entanto, é encarado com cautela, pela dificuldade que um suposto encontro privado e, portanto, sem provas concretas de que tenha ocorrido nas circunstâncias descritas pelo relator, tenha de fato acontecido. 

A Procuradoria-Geral da República não confirmou o teor da delação. Para ensejar qualquer procedimento investigatório contra Dilma no STF, o depoimento precisará ser homologado pelo relator da Lava Jato, na Corte, o ministro Teori Zavascki. Detalhes de outras delações já homologadas, no entanto, e que davam conta de que a campanha da presidente foi financiada com recursos desviados da Petrobrás podem dar apoio a uma nova investigação contra a petista.

Dilma é alvo no Supremo de um pedido, formulado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que ela seja investigada por tentativa de obstruir as investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobrás. O caso está sob análise de Teori e ainda não foi oficialmente aberto na Corte.

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