Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministros do STF apanham 'mais que jogadores de futebol', diz Moraes

Para ministro da Corte, há um desequilíbrio entre os Poderes já que o Legislativo está fragilizado e o Judiciário ganhou força

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2017 | 17h39

RIO - O Supremo Tribunal Federal (STF) está popular a ponto de seus ministros apanharem “mais que jogadores de futebol”, afirmou o ministro da Corte Alexandre de Moraes. Segundo o magistrado, há um desequilíbrio entre os Poderes no Brasil, porque o Legislativo está fragilizado, enquanto o Judiciário, em sentido contrário, ganhou força. A maior parte da população não se lembra dos congressistas em quem votou.

 "O que se institucionalizou na Justiça se perdeu no Legislativo. Casos e casos de corrupção se acumularam (no Legislativo). Aí surge a possibilidade de aparecer um salvador da pátria", afirmou durante palestra na Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) na tarde desta segunda-feira, 23. 

+++ Alexandre diz que Brasil vive 'Macarthismo'

Moraes afirmou que um dos papeis do STF é "evitar a tirania da maioria". "Num embate entre o Executivo e o Legislativo, já verificamos que sempre no Brasil isso resultou em golpe", afirmou.  Ele ainda fez um apelo para que, na próxima eleição, de 2018, a população seja mais criteriosa na escolha dos congressistas. E criticou o STF por ter declarado inconstitucional, em 2006, o obstáculo a partidos que não atingissem determinado desempenho, aprovado no Congresso. "O Supremo confundiu cláusula de barreira com cláusula de desempenho", acrescentou.

+++ Sérgio Moro: 'A vergonha está do lado de quem se opõe à Lava Jato'

Moraes defende que haja um equilíbrio entre os Poderes no futuro. "O protagonismo (do STF) vai continuar até reequilibrar o papel do Poder Legislativo. Isso é o melhor para o País para evitar a guerrilha institucional que, de um dois anos para cá, estamos acompanhando", afirmou. 

+++ Corrupção é obstáculo para desenvolvimento político, afirma Rodrigo Janot

Apesar de criticar o Legislativo, Moraes disse também que o fortalecimento das instituições nos últimos 30 anos fez com que não houvesse "necessidade de pensar nas Forças Armadas como Poder Moderador", após o País passar pelo segundo impeachment, de Dilma Rousseff.

+++ Deltan Dallagnol: 'O Congresso pode pôr tudo abaixo em uma madrugada'

No início da sua palestra, Moraes brincou com uma pessoa da palestra que o interrompeu com o celular. "Estou sendo grampeado? Essa é uma moda da República ser grampeado", ironizou. 

Envolvido em polêmica neste fim de semana, ao comentar nas redes sociais o fim da nova da Rede Globo que, em sua opinião, conferiu um ilusório glamour ao tráfico de drogas, Moraes não quis falar com a imprensa ao fim do evento. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.