Ministros comentam desocupação de fazenda

Os ministros da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira; do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann; e do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, consideraram bem sucedido o processo de desocupação da Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, invadida pelo Movimento dos Sem Terra (MST). "Foi um processo exitoso" comemorou Nunes Ferreira.Sobre a prisão de 16 líderes do MST que invadiram a fazenda, o ministro Jungmann garantiu que, em nenhum momento, o governo negociou com os sem terra o não cumprimento da lei. "Em nenhum momento foi objeto da pauta de negociações entre nós e o MST a não prisão de quem quer que seja", afirmou.O Ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva, e a ouvidora adjunta, Maria de Oliveira, pediram demissão sob a alegação de que o governo teria se comprometido a não prender ninguém. "É possível que tenha havido um mal entendido", disse Jungmann. TerrorO ministro do Desenvolvimento Agrário disse que a cidade de Buritis "vive um clima de terror por causa do MST". Jungmann, que deixará o ministério no início de abril para disputar uma cadeira à Câmara pelo PMDB, acusou o governo de Minas Gerais de "não promover a segurança dos moradores e do prefeito da cidade". O ministro não citou nominalmente o nome do seu colega de partido e governador de Minas, Itamar Franco.Guarda especialO ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, disse que o governo federal vai fazer uma avaliação se haverá necessidade de se instalar uma guarda especial na fazenda da família do presidente Fernando Henrique Cardoso por causa da ocupação.Ele admitiu que houve falha pelo fato de ter ocorrido a invasão, mas avisou que no decorrer da semana haverá avaliações sobre responsabilidades. "Ontem nós informamos que diante de um fato muito grave, íamos primeiro tratar do problema da ocupação da fazenda. Depois, à guisa de aprendizagem, para que não se repitam eventuais possíveis erros, trataríamos as falhas, que tenham permitido a invasão, com surpresa", disse o general. Ele acrescentou que havia indícios de que poderia haver essa invasão, em plena negociação entre o INCRA e os sem-terra.O general Alberto Cardoso afirmou que o Exército permanecerá na fazenda cerca de 300 homens, até amanhã. Nesta segunda-feira, o Exército reduzirá seu efetivo em um terço. Segundo ele, a Polícia Federal, por sua vez, já retirou seu pessoal.PTO ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, considerou "plenamente satisfatória" a nota do PT condenando a invasão da Fazenda Córrego da Ponte. Ontem, assim que soube da ocupação, Aloysio Nunes disse que o PT tinha "ligações íntimas e xipófogas" com o MST. Mas hoje, o ministro não quis atacar o PT.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.