Ministros admitem vínculo do Judiciário com a governabilidade

Dez horas após jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal, reconheceram nesta quinta-feira que o Judiciário tem compromissos com a governabilidade e que deve contribuir para o desenvolvimento do País."O Judiciário tem de dar a sua cota", afirmou Jobim. "Onde (o Judiciário) não funciona bem, como no caso de alguns dos nossos países, inclusive o Brasil, a perda em termos de PIB chega a 20% ao ano", alertou Vidigal durante encontro sobre reforma do Judiciário que reuniu, em Brasília, presidentes de tribunais da América do Sul.Jobim e Vidigal defenderam a integração - incluindo a Justiça- entre os membros do Mercosul. O presidente do STF disse que, durante muito tempo, o Brasil esteve de costas para os outros países da América Latina. "Para onde queremos ir agora, nós todos da América do Sul?", indagou Vidigal. "Para o Mercosul, opção de integração regional autônoma, ou vamos ficar quietos esperando um colapso após o qual só restará a absorção através da Alca?", questionou.Vidigal disse que hoje não se fala mais tanto sobre a crise da dívida, mas que ainda "dói" ter de vender títulos públicos para pagar juros. Segundo ele, as realidades da economia, da produção e do comércio passam todas pelo Judiciário. "Onde há segurança jurídica, os capitais aportam e demoram; a economia cresce; diminui o desemprego; aumenta a arrecadação; melhora a classe média; os direitos e vantagens da democracia chegam aos pobres, alcançam a todos. Onde o Judiciário funciona a contento, a economia cresce, em média, 3% ao mês", disse.

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