Ministro visita área atingida por incêndio no Amapá

O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, visita amanhã a Reserva Biológica do Lago Piratuba, no leste do Amapá, a cerca de 150 km da capital, atingida por um incêndio desde novembro. De acordo com o gerente executivo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Macapá, Murilo Pinheiro, a expectativa é que somente na sexta-feira o fogo esteja completamente exterminado. Para ver o estrago, o ministro mudou parte da agenda, que inclui a assinatura de atos com o governo do Amapá no município de Laranjal do Jari, na divisa do Pará. O prejuízo ecológico do incêndio é considerado muito grave, pois as raízes da vegetação foram atingidas e a previsão é de que a recomposição da mata demore cerca de 60 anos.O solo no local é uma espécie de turfa, bastante poroso, e sobre ele se forma um "colchão" de raízes, folhas e gravetos secos, facilitando a propagação subterrânea do fogoPior do que Roraima - "Será preciso uma recuperação completa, começar tudo outra vez, do zero", disse o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Humberto Candeias Cavalcanti. Segundo ele, o estrago ambiental pode ser considerado maior do que o provocado pelo incêndio que devastou parte do Estado de Roraima em 1998. Dessa vez, o foco do incêndio não está nos troncos e copas das árvores, mas na camada inferior do solo, formada por folhas e material orgânico.Cavalcanti explicou que, como há uma forte estiagem na região, essa camada tornou-se altamente inflamável, queimando as raízes. Sem sustentação, as árvores caem inteiras no chão. "Quando apenas os caules são queimados, as plantas podem se recompor com mais facilidade", disse Cavalcanti. Apesar do dano ecológico, o Ibama calcula que apenas 1,1% da reserva ecológica está queimando, ou seja, 4 mil hectares de floresta. O parque tem 357 mil hectares.Uma equipe de 102 homens está combatendo o fogo no parque. São bombeiros do Amapá, do Distrito Federal e do Pará, além de mateiros. "O problema é que a região é de difícil acesso, de várzea, onde só conseguimos entrar cortando a mata a facão", disse Pinheiro.Origens - Ainda assim, ele diz que o incêndio já pode ser considerado controlado."Ele não está se espalhando para novas áreas", afirmou. A partir da segunda semana de janeiro, quando o fogo estiver completamente apagado, o Ibama vai iniciar uma investigação sobre as origens.A principal suspeita são as queimadas feitas por fazendeiros vizinhos à reserva, para recompor o pasto. "Estamos em época de queimadas", disse Cavalcanti. O fogo foi estimulado pela estiagem, que este ano está durando mais do que o normal. O Ibama promete acionar o Ministério Público para punir os responsáveis.

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