Ministro vai à Venezuela discutir adesão do país ao Mercosul

Na última quarta-feira, deputados adiaram em um mês a votação da adesão do país no bloco econômico

Reuters

28 Setembro 2007 | 18h13

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,  discutirá neste sábado em Caracas com seu colega Nicolás Maduro o  processo de adesão da Venezuela ao Mercosul, informou o Itamaraty nesta sexta-feira, 28.  Amorim também será recebido pelo presidente Hugo Chávez, que manteve atritos com parlamentares brasileiros, aos quais cabe aprovar a inclusão de novos sócios no bloco fundado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.  A Venezuela negocia há mais de um ano sua adesão plena ao Mercosul, mas há obstáculos comerciais e políticos. Também falta a ratificação paraguaia à adesão venezuelana.  O processo, no entanto, está complicado depois que Chávez acusou os parlamentares brasileiros de atuarem como porta-vozes dos interesses dos Estados Unidos.  Amorim, que visita Caracas voltando de El Salvador, pretende tratar de "temas como o Protocolo de Adesão da Venezuela (ao Mercosul) e negociações específicas em curso, como programa de liberalização comercial", segundo nota do Itamaraty, citando também projetos de cooperação energética. O comunicado informa ainda que serão tratados também assuntos relacionados à cooperação energética entre os dois países.  Adesão Adiada Na última quarta, a  Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados decidiu novamente adiar, desta vez para o dia 24 de outubro, a votação do protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul.  A primeira motivação foi o artigo "A Venezuela e o Mercosul", do embaixador Rubens Barbosa, publicado nas edições da última quarta do Estado  e O Globo, que detalha as pendências técnicas dessa adesão. Vieira da Cunha informou que vai enviar ainda nesta quarta ao Itamaraty um ofício com o pedido de explicações, por meio de nota técnica, sobre os pontos em aberto mencionados por Barbosa. A segunda motivação foram as declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no último dia 20, em Manaus. Pouco antes de encontrar-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Chávez afirmou que o atraso da tramitação do Protocolo de Adesão no Congresso brasileiro devia-se à "mão do império".  Em junho passado, ele declarara que o Congresso "repetia como um papagaio" o que dizem os congressistas americanos. "Estávamos com um clima maduro para a votação . Mesmo com o desmentido do presidente Chávez, que atribuiu seu deslize a uma intriga da mídia brasileira, suas declarações geraram um mal-estar", afirmou Vieira da Cunha. Chávez no Brasil Na semana passada, os presidentes Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva mantiveram uma longa reunião na qual reafirmaram seus compromissos de integração energética e prometeram empenho pela adesão venezuelana ao Mercosul.  Antes daquela reunião em Manaus, Chávez disse que seu país não iria se arrastar para entrar no Mercosul. Sem citar o Senado brasileiro, atribuiu a demora na retificação "à mão do império".  

Mais conteúdo sobre:
Mercosul

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.