Ministro terá que explicar à comissão sobre dinheiro de ONG para PDT

Segundo o conselheiro Mauro Menezes, trata-de se uma 'abordagem antes de uma eventual abertura de um processo' contra Manoel Dias, do Trabalho

Rafael Moraes Moura , Agência Estado

02 de outubro de 2013 | 22h28

Brasília - A Comissão de Ética da Presidência da República pediu nesta quinta-feira, 2, esclarecimentos ao ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT), sobre denúncias, reveladas pelo Estado, de que ele teria montado esquema para desviar recursos de uma ONG para filiados ao seu partido. O conselheiro da comissão de ética, Mauro Menezes, afirmou que "se trata de uma abordagem antes de uma eventual abertura de processo" contra o ministro.

O ex-dirigente da juventude do PDT de Santa Catarina, John Sievers Dias, contou ao Estado que, a mando do ministro, recebeu em 2008 "salário" da Agência de Desenvolvimento do Vale do Rio Tijucas e Rio Itajaí-Mirim (ADRVale) para trabalhar para a Universidade Leonel Brizola, braço da fundação política do partido.

"Sou um coordenador fantasma... Eles só pagavam o meu salário... Eu imaginava que não era coisa boa, uma empresa que presta serviço para o Estado estar me pagando, mas quem iria confrontar o Maneca [como os pedetistas chamam o ministro]?", afirmou Sievers. Manoel Dias é presidente do PDT em Santa Catarina.

Relatório da Controladoria Geral da União (CGU) comprovou que o ex-dirigente foi contratado pela ONG, além de outros pedetistas. Segundo a investigação, a entidade não demonstrou que eles trabalharam. Entre os supostos "fantasmas" está o irmão do atual chefe de gabinete do ministro, Rodrigo Minoto, que foi assessor da mulher de Manoel Dias quando ela era secretária em Santa Catarina e, segundo John, também sabia do esquema com a ADRVale.

O Estado revelou ainda que a Polícia Federal também apura o caso e deve intimar Sievers para depoimento. O Ministério do Trabalho não se pronunciou nesta quarta-feira. O ministro já negou envolvimento com desvio de recursos da entidade. A advogada da ADRVale, Ana Helena Boos, disse que todas as pessoas que constam como contratadas pela ONG trabalharam.

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