Ministro terá de explicar oposição a campanha contra obesidade

A Frente Parlamentar de Saúde deverá convocar nos próximos dias o ministro da Saúde, Humberto Costa, para prestar esclarecimentos sobre a posição do governo em relação à Estratégia Global para Alimentação Saudável, proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O documento, com recomendações aos governos para combater a obesidade, deverá ser submetido à votação na Assembléia Mundial de Saúde, em maio.Em reunião prévia, feita em fevereiro, o Brasil manifestou-se contra as recomendações, alegando falta de embasamento científico. A decisão surpreendeu o grupo de especialistas que acompanhou as discussões e apoiou, sem restrições, as recomendações. "A estratégia define o básico: restrição da ingestão de açúcar, de sal, gordura e incentivo aos exercícios físicos e ao consumo de frutas e verduras", afirmou a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Valéria Guimarães.O próprio Ministério da Saúde manifestou-se favoravelmente às medidas. De acordo com o ministério, a posição defendida pelo País em fevereiro baseou-se apenas em aspectos econômicos. O Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo. Todo ano são exportados 13 milhões de toneladas, o que rende ao País US$ 2,1 bilhões. "Não há dúvida de que depreciar o açúcar como alimento não seria interessante ao País", afirma o diretor do departamento de açúcar e do álcool do Ministério da Agricultura, Angelo Bressan Filho.Cerca de 40% da população brasileira é obesa ou está com sobrepeso. A obesidade é um importante fator de risco para distúrbios cardíacos, derrame cerebral e câncer. "O problema custa, e muito, aos cofres públicos. É uma questão de escolha: ou perdemos na exportação ou no pagamento do tratamento de pacientes, que vão lotar o sistema público de saúde", completou Valéria.

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