André Dusek/Estadão
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Ministro tem perda de R$ 225 mil com queda de ações da Petrobrás

Titular de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM) não pode comprar nem vender os títulos enquanto ocupar a pasta

Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2015 | 21h13

Brasília - A crise financeira provocada pelo escândalo de corrupção na Petrobrás fez uma vítima no topo da cadeia de comando da empresa. Dono de 21.302 ações da companhia, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM), viu os papéis despencarem para menos de 50% do que valiam. O prejuízo acumulado por ele, até esta sexta-feira, 16, era de R$ 225,9 mil. 

As ações preferenciais da Petrobrás foram compradas por Braga a R$ 427.087 ou R$ 20,04 cada. Pela cotação desta sexta valiam R$ 201.090 ou R$ 9,44. Dinheiro que não completa três litros de gasolina nos postos da BR Distribuidora em Brasília. 


Seja qual for o futuro da Petrobrás na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Braga terá de ficar com os papéis enquanto estiver na cadeira de ministro. Por exigência legal, não pode comprar ou vender ações de empresas subsidiárias do Ministério de Minas Energia, pois tem influência sobre elas e acesso a informações privilegiadas. 

Conforme a declaração de Imposto de Renda referente a 2013, entregue no ano passado, Braga obteve rendimentos de R$ 14.097 com as ações, mas a sorte virou no ano passado.

Dono de bens e investimentos de R$ 27,2 milhões em 2014, Braga ampliou rapidamente sua fortuna a partir de 2006, quando declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 4,1 milhões. Ao Estado, ele explicou, por meio de sua assessoria, que a variação decorre da venda, entre 2006 e 2010, de oito empresas que controlava junto à família. Trata-se de concessionárias de veículos em estados do Norte.

"Os dividendos decorrentes da operação de venda das concessionárias, ocorrida em 2008, foram investidos em aplicações financeiras, imóveis e ações da Bolsa de Valores", justificou.

A declaração de IR mostra que ele apostou também em oito mil ações da Vale, outra empresa na esfera de atuação do ministério, e 3,5 mil da Sabesp, que administra a crise de água em São Paulo. 

Braga também obteve rendimentos de ações de companhias como a Cielo, o Banco do Brasil, a Telefônica e a Contax. Ao todo, os ganhos com aplicações financeiras alcançaram R$ 909 mil.

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