Ministro reconhece no Senado que polícia errou

Tarso não cita Protógenes, mas diz que responsáveis vão ter de responder por abusos

João Domingos, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2009 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu ontem, durante audiência no Senado, a ocorrência de muitos erros na Operação Satiagraha - que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, do investidor Naji Nahas e de diretores do Banco Opportunity. O ministro estava acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. "Ainda que se tomem todos os cuidados com questões de direitos humanos e de obtenção de provas com qualidade, alguns procedimentos nesse inquérito foram errados e as pessoas responsáveis terão, naturalmente, de responder por isso", afirmou o ministro. Ele não quis responsabilizar diretamente o delegado Protógenes Queiroz, que comandou a operação. "Ainda estão sendo feitas investigações." Mas citou o caso da filmagem da prisão de Pitta, em sua própria casa, como um abuso cometido pela PF.Tarso e Corrêa foram chamados ao Senado para falar a respeito da suspeita de que a PF estaria sendo usada pelo governo para perseguir partidos de oposição, principalmente durante a Operação Castelo de Areia, que investigou crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro por parte da empreiteira Camargo Corrêa.O ministro reconheceu erros na Satiagraha, mas defendeu a regularidade da Castelo de Areia. Para ele, nem mesmo os vazamentos a respeito de doação ilegal de campanha da construtora para os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) foram de responsabilidade da PF.Os dois senadores mostraram documentos segundo os quais as doações foram legais, registradas na Justiça Eleitoral. Tarso reconheceu que eles foram vítimas de "infâmias", de "informações distorcidas". Mas insistiu em que a PF nada teve que ver com os vazamentos. Disse ainda que, das 250 páginas do inquérito policial, apenas quatro parágrafos faziam referência às doações e, mesmo assim, em nenhum momento diziam que eram ilegais.Os senadores insistiram para que Tarso e Corrêa revelassem que fim levaram os inquéritos que apuraram crimes cometidos por Waldomiro Diniz, ex-subchefe da Casa Civil, pelos "aloprados" do dossiê contra os tucanos, na eleição de 2006, e desvios de dinheiro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), todos envolvendo petistas.Nem Tarso nem Corrêa quiseram aprofundar-se nas respostas. Insistiram apenas na tese de que o governo não tem uma polícia política."Se existisse uma polícia política, nós não estaríamos aqui prestando informações, os políticos estariam todos sendo investigados", afirmou o ministro. Ele disse que o número de políticos investigados pela Polícia Federal não chega a 2% de todos os inquéritos abertos. "A maior parte dos nossos casos são inquéritos sobre tráfico de drogas, contrabando. Menos de 2% atingem os políticos."

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