Ministro promete identificar empresários que acobertam crime organizado

O nome de instituições financeiras e das grandes estruturas empresariais que sustentam o crime organizado no Brasil serão revelados em breve, prometeu nesta segunda-feira em São Paulo o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso."Há um grande número de investigações sobre lavagem de dinheiro em curso no país, e os nomes das instituições envolvidas vão ser divulgados assim que forem obtidas provas para indiciá-los criminalmente", disse o ministro.Cardoso afirmou que a lavagem de dinheiro é quem garante a "permanência e a legalidade" do crime nas estruturas sociais. "O oxigênio do crime organizado é a lavagem de dinheiro, mas as investigações sobre esta prática são lentas, difíceis e sigilosas. Por isso, só devem ser divulgadas quando estiverem concluídas", avaliou ele. Entre as investigações em curso, Cardoso mencionou a iniciada em 1998 pelo Ministério Público na região de Foz do Iguaçu, no Paraná. Apenas entre os anos de 1996 e 1997 estima-se que cerca de 35 mil pessoas lavaram mais de R$ 12 bilhões. "Este dinheiro é originário da corrupção, do tráfico de drogas e do crime organizado. Ele sai do país e volta, já lavado, para constituir empresas e financiar empreendimentos que dão a fachada legal para o crime organizado", disse ele.Cardoso acompanhou durante toda a tarde desta segunda-feira o ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, que visitou organizações não-governamentais (ONGs) que realizam trabalho de prevenção à violência na região do Jardim Angêla (zona sul), em um dos principais bolsões de violência da capital paulista."Vim aqui como um emissário do Observatório de Segurança Pública, para conhecer as experiências que merecem ser divulgadas sobre prevenção à violência", disse Reale Júnior. Cerca de 220 ONGs atuam na região do Jardim Angela. "Na verdade, estamos aqui para aprender como o Estado pode juntar-se ao espaço que foi abandonado pelo próprio Estado", argumentou Cardoso.De acordo com Cardoso, o Governo Federal percebeu há apenas dois anos que a política oficial de combate à criminalidade incorporava contradições insolúveis. "As políticas de prevenção insistiam no ponto de vista penal e se mostraram inócuas. Por maiores que fossem os investimentos, não conseguiram reverter o crescimento da criminalidade", afirmou ele.Para Reale Júnior e Cardoso, a criminalidade cresce na periferia dos grandes centros urbanos porque a ação do Estado abandonou estas regiões. "Onde o Estado não age, criam-se os estados paralelos da delinqüência e do narcotráfico", disse Reali Júnior.

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