Ministro prevê nova operação como a Tapuru

O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, quer intensificar a realização de Operações como a Tapuru, que será encerrada neste sábado na Amazônia Ocidental, para fiscalização dos rios e fronteiras com a Colômbia e o Peru. Segundo ele, mais de cem embarcações foram vistoriadas e encontrados tanto tambores de gasolina, utilizados no preparo de cocaína, quanto armas e cartilhas empregadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em suas ações.Isso não significa, de acordo com Quintão, que esteja havendo migração de qualquer uma dessas facções para o Brasil, mas apenas o trânsito de pequenos traficantes. O ministro disse ainda que, com a realização dessa operação, a ampliação da presença das Forças Armadas na região e a entrada em funcionamento do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), os estrangeiros vão sentir-se cada vez mais temerosos de tentar fazer do Brasil um caminho para o narcotráfico.Se houver reversão nos cortes do orçamento ? que chegaram a R$ 930 milhões -, o ministro Quintão pretende garantir a realização de uma segunda operação na Amazônia, e não mais na região de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, como havia previsto inicialmente. A nova operação militar poderá ser realizada na região do rio Javari, entre o Amazonas e o Acre.O ministro quer, se possível, que os treinamentos sejam repetidos no primeiro e segundo semestres do ano que vem, como havia sido programado anteriormente. ?O Brasil tem de voltar sua frente para a Amazônia, e as suas costas para o Sul?, tem reiterado o ministro, que afirma que a região de 5,3 milhões de quilômetros quadrados, ainda tem densidade demográfica muito baixa.?Temos de manter a presença do Estado na área?, insistiu o ministro, que ressalta que a presença das Forças Armadas na região é de fundamental importância. Neste sábado, o general Guilherme Figueiredo, comandante Militar da Amazônia e responsável pela Operação Tapuru, fará um balanço completo dos trabalhos realizados até então.Os militares, no entanto, permanecerão ainda, vários dias na região, principalmente enquanto estiverem sendo realizadas as eleições no país vizinho.Até o início da noite desta sexta-feira, o sargento piauiense Manoel de Jesus Alencar, de 27 anos, do 5º Batalhão de Infantaria de Selva, de São Gabriel da Cachoeira (AM), continuava desaparecido, em conseqüência de um acidente com uma ?voadeira? que navegava na calha do rio Negro, apesar da intensificação das buscas na tentativa de localizar o militar.Já o cabo carioca Gilberto José de Souza Santos, de 26 anos, que estava a bordo do navio Raposo Tavares, da Marinha, que foi atingido durante uma patrulha fluvial, realizada próxima à região de Belém dos Solimões, foi submetido a uma avaliação médica em Manaus e apresenta ?bom estado de saúde?.As vistorias realizadas pelos Fuzileiros Navais, em apoio às lanchas e navios da Marinha, se concentraram nos Rios Japurá, Puruê, Içá, Puretê, Solimões e Negro, principais rios de penetração na Amazônia Ocidental, principalmente a partir da Colômbia e do Peru, onde a operação está acontecendo.Nas buscas nos rios, a maior parte das apreensões foi em pequenas embarcações, já que os traficantes mais organizados transportam as drogas de avião. Daí a preocupação do governo brasileiro em colocar imediatamente em funcionamento o Sivam. ?Com o Sivam, eles (traficantes) vão passar a procurar outras rotas, porque qualquer movimento suspeito será interceptado?, declarou o ministro.Neste sábado, o ministro Quintão embarca para Lisboa, onde participa da reunião dos ministros de Defesa das Comunidades dos Países de Língua Portuguesa. Entre outras missões, o ministro vai discutir a realização da Operação Felino, marcada para ser realizada em outubro deste ano. Será um exercício conjunto com os países de língua portuguesa.O treinamento está sendo preparado para ser realizado na caatinga, a partir da cidade de Petrolina (PE). Neste caso, trata-se de uma força internacional, na qual estarão presentes exércitos do Brasil, de Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné?Bissau.Nesta sexta-feira, o ministro das Comunicações, Juarez Quadros, publicou portaria no Diário Oficial da União, que define o Programa para Regiões Remotas e de Fronteiras de interesse estratégico e trata da implantação de serviços de telecomunicações nas unidades do serviço público, civis ou militares, situadas em pontos remotos do território nacional.Este tipo de ação poderá colaborar com a marcação da presença do Estado na região Amazônica. O programa será financiado com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e beneficiará organizações militares que prestam assistência a populações carentes isoladas e à comunidade científica que desenvolve pesquisas em regiões remotas.

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