Ministro põe ouvidoria no caso de PE

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, afirmou "que nada justifica a violência" ocorrida em Pernambuco, no sábado, quando líderes do MST mataram a tiros quatro seguranças da Fazenda Consulta, em São Joaquim do Monte. Cassel determinou que a Ouvidoria Agrária Nacional apure o que ocorreu e faça um relato ao governo federal. Dois sem-terra foram presos. Em nota distribuída na segunda-feira, o MST não negou a autoria dos assassinatos, atribuídos a uma reação à investida dos seguranças, que os sem-terra chamam de "pistoleiros". O MST diz que os seguranças teriam sido contratados pelos donos das Fazendas Consulta e Jabuticaba - esta também alvo dos sem-terra. De acordo com Cassel, as propriedades estão em processo de desapropriação. Foram declaradas improdutivas pelo Incra. Mas os proprietários lutam na Justiça desde 2000 para impedir que sejam usadas na reforma agrária. Assim como Cassel, o MST também quer a presença da Ouvidoria Agrária Nacional na região. Na nota distribuída pelo movimento, é solicitado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário que envie a Pernambuco o ouvidor Gercino José da Silva Filho. Cópia da nota foi mandada ao ministro-chefe da Secretaria dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. Nas suas justificativas, o MST acusou os fazendeiros de contratar milícia particular para perseguir sem-terra. "Um dos herdeiros de uma delas contrata milícias de pistoleiros para ameaçar as famílias e proteger a fazenda", diz a nota. As Fazendas Consulta e Jabuticaba foram ocupadas em 2000. Desde então, é travada na Justiça intensa luta. Várias decisões judiciais determinaram a desocupação. O último despejo ocorreu na quinta-feira passada.

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