Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Ministro peemedebista recusa convite de Dilma e vice assume articulação política

Após titular da Aviação Civil, Eliseu Padilha, rejeitar cargo, presidente apela a Michel Temer, também do PMDB, que vai acumular função que vinha sendo exercida pelo petista Pepe Vargas

Vera Rosa, Rafael Moraes Moura e Erich Decat, O Estado de S. Paulo

07 Abril 2015 | 18h32

Texto atualizado às 10h31

Brasília - Às vésperas de completar cem dias do segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff foi obrigada a entregar a articulação política do governo ao vice-presidente Michel Temer (PMDB), na tentativa de reduzir os danos provocados com a recusa do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, também do PMDB, em assumir a função. 

Em um operação desastrada que durou pouco mais de 24 horas, Dilma conseguiu desagradar a uma ala do PMDB e enfraquecer o setor mais à esquerda do PT. No fim do dia, Temer acabou por salvar o governo de mais um vexame. 

O vice vai assumir as atribuições da Secretaria de Relações Institucionais, até então ocupada pelo petista Pepe Vargas, que entregou o cargo após o “vazamento” da notícia sobre sua saída. Pepe deve ser transferido para a Secretaria de Direitos Humanos, atualmente com Ideli Salvatti (PT), cotada agora para Correios. 

Pelo novo desenho do “núcleo duro” do Palácio do Planalto, as funções da Secretaria de Relações Institucionais serão incorporadas pela Vice-Presidência da República. Com isso, o número de ministérios passará de 39 para 38. Dilma prometeu a Temer que ele terá autonomia para negociar com o Congresso.

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que Temer, presidente do PMDB, é “leal ao projeto e a Dilma”. Destacou, ainda, que ninguém melhor do que ele para ajudar a amenizar a crise política e a aprovar o ajuste fiscal no Congresso.

“Todos reconhecem que foi uma solução política que ajuda bastante na interlocução, no diálogo, nas pontes, no fortalecimento da base aliada e, mesmo, na interlocução com outras forças políticas de oposição”, afirmou Mercadante.

Temer, porém, não foi a primeira escolha de Dilma. Na segunda-feira, ela convidou o titular de Aviação Civil Eliseu Padilha, amigo do vice-presidente, para assumir a articulação política no lugar de Pepe. Ao fazer a oferta, Dilma tinha a intenção de conciliar os interesses dos grupos do PMDB que comandam a Câmara e o Senado para aplacar a revolta do partido e aprovar o ajuste fiscal.

Tudo foi por água abaixo quando a informação sobre o convite a Padilha “vazou” enquanto Pepe ainda exercia suas funções. Para piorar, Padilha acabou recusando o convite, alegando motivos pessoais. 

Àquela altura, no entanto, Dilma já tinha conversado com Pepe, que entregou o cargo e não escondeu sua mágoa. A presidente se desculpou e elogiou o petista. “Essa conta é nossa, não é sua. Mas preciso desse cargo para o PMDB”, disse ela. 

A troca de Pepe é a terceira que Dilma se viu obrigada a fazer no primeiro escalão desde que assumiu o segundo mandato, em 1.º de janeiro. A primeira foi Cid Gomes (PROS), que deixou a Educação após dizer que a Câmara tinha “de 300 a 400 achacadores”. Depois foi o ministro da Comunicação Social, Thomas Traumann, defenestrado após o “vazamento” de um texto que apontava “caos político” no governo.

Em público, os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), elogiaram a mudança. Nenhum dos dois, porém, comprometeram-se a dar trégua ao Planalto nem a apoiar o ajuste fiscal.

“Não há dúvida de que a articulação política vai melhorar. Não dá nem para comparar. É como fazer um jogo de futebol e botar determinados tipos diferentes de atleta jogando”, afirmou Cunha. “Ninguém melhor do que Michel para exercer a tarefa neste momento complexo da vida nacional do PMDB”, disse Renan. / COLABORARAM LISANDRA PARAGUASSU, AYR ALISK e DANIEL CARVALHO

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