Ministro nega uso de verbas no combate à CPI

Acusado pela oposição de usar a máquina do governo para abafar a CPI da Corrupção, o governo decidiu sair do silêncio e contra-atacar. O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, negou a existência de qualquer relação entre as liberações de verbas feitas nas últimas semanas pelo Executivo com operação comandada pelo Palácio do Planalto para a retirada de 20 assinaturas de deputados federais da CPI. "O governo reagiu fazendo uma ação política", disse Aloysio. "É mentira da oposição afirmar que estamos fazendo acertos de liberação de verbas; isso distorce o noticiário", reforçou o ministro. Ele desafiou a oposição a provar qualquer denúncia de irregularidade na operação política deflagrada pelo governo. Segundo Aloysio, a maior parte dos recursos liberados é do custeio da administração federal, de restos a pagar e de obras conveniadas.Hoje, integrantes da base aliada do governo comemoraram discretamente a derrota imposta à oposição, apesar do reconhecimento do desgaste sofrido, junto à opinião pública, com a operação abafa. Por isso, a reação aos ataques disparados por líderes de partidos de esquerda não ficou restrita ao Palácio do Planalto. "A oposição não pode se queixar de coisa alguma", disse o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), acusado de participar da manobra palaciana. "O que houve foi uma ação política da base do governo", ponderou ele, reforçando o discurso do Planalto. Jader nega qualquer envolvimento na operação governista. Apesar da negativa, Jader trabalhou afinado com o Palácio do Planalto em todos os momentos. Com a entrega do requerimento da CPI, na quarta-feira, o governo decidiu enterrar o tema imediatamente. A estratégia do Planalto foi estimular uma cobrança formal dos partidos de esquerda para antecipar uma sessão do Congresso, e com isso a formalização da CPI. Às 11 horas da quinta-feira, o presidente Fernando Henrique recebeu o sinal verde de que já havia um número seguro de assinaturas de governistas para derrubar a CPI. Com essa certeza, os líderes da base aliada estimularam a oposição a pedir uma sessão extraordinária do Congresso naquele mesmo dia. "Não dava mais para esperar até a próxima quarta-feira, já que o desgaste na opinião pública seria enorme", lembrou um líder aliado. "O governo ficaria mais uma semana sendo criticado diariamente na mídia." Inicialmente, o governo pensou em dar uma demonstração de força, derrubando cerca de 35 assinaturas. Depois resolveu poupar alguns nomes, só apresentando 20 cartas para a retirada de assinaturas do requerimento. "Por que expor pessoas, já que tínhamos números suficientes?", explicou o líder de PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Outra decisão no governo foi a de dividir igualmente o desgaste por partido. No PFL, por exemplo, como foram oferecidos cinco deputados do grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) - incluindo o deputado Eujácio Simões (PL) - outros sete deputados da legenda foram poupados.

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