Ministro nega ter 'segurado' dados do estudo

O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Marcelo Neri, tentou desqualificar o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que diz que o número de brasileiros em condição de extrema pobreza voltou a subir em 2013.

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2014 | 02h03

"Foram dados, que inclusive não são dados oficiais, que foram levantados pelo Ipea, que não tem esse poder de dar o dado oficial de pobreza ou de extrema pobreza da Nação", disse Neri, irritado, rebatendo os números com outros dados não oficiais, mas favoráveis ao governo.

"E o que eu digo é o seguinte: os dados das duas últimas Pnads são dados muito bons. Eles mostram avanço da renda per capita de 5,5% real, já descontada a inflação, já descontado aumento da população, e foi um dado muito bom." Para Neri, a imprensa está focando um dado específico que representa "fatores temporários" e não reflete a realidade.

"Quer dizer, existe um foco total em cima de um dado em um ano. Se a gente pegar os mesmos dados eles vão mostrar que a extrema pobreza nos dois anos teve uma queda 50% acima da prevista pelas metas do milênio da ONU", disse.

Eleição. O ministro negou ainda que o governo tenha escondido este dado social considerado negativo durante o período eleitoral. "Não houve nenhum estudo 'segurado'. Existe uma decisão a priori, feita de forma autônoma pelo Ipea, para resguardar a instituição durante o período eleitoral porque existem restrições sobre a capacidade de divulgar dados, existem limitações jurídicas, e o Ipea decidiu de forma autônoma, sem interveniência", afirmou.

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