Ministro nega decisão de sair e se irrita com ação explícita de colegas

No Rio, Luiz Sérgio afirmou que não vai tomar nenhuma iniciativa até se encontrar com a presidente Dilma nesta sexta

Alfredo Junqueira, de O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2011 | 23h00

RIO - O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, negava de forma veemente que havia pedido demissão de seu cargo no governo até o início da noite desta quinta-feira, 9. Trancado em seu gabinete no centro do Rio, cercado por aliados e dirigentes locais do PT, o ainda ministro afirmou que não tomaria nenhuma iniciativa até se encontrar com a presidente Dilma Rousseff - o que deve ocorrer ainda nesta sexta-feira, 10.

 

Seus assessores também negaram que ele e a presidente teriam conversado na quarta-feira e acertado a sua saída. "Ele não se demitiu, mas também não tem apego a cargo nem sabe se fica ou sai", disse a assessoria. Durante o dia, porém, o clima no gabinete era de fim de festa. Embora todos negassem que ele fosse pedir demissão, era senso comum de que sua permanência na pasta estava chegando ao fim.

 

Incômodo. O ministro ficou bastante irritado quando começaram a ser divulgadas as primeiras notícias sobre sua saída do governo. A interlocutores, o ministro confirmou o incômodo com colegas do partido que já estariam negociando seu cargo antes mesmo de sua saída ter sido oficializada.

 

Para Luiz Sérgio, os ataques contra ele têm origem principalmente entre os deputados petistas Arlindo Chinaglia (SP), Paulo Teixeira (SP) e Henrique Fontana (RS).

 

Uma ala do PT paulista insiste em retomar o poder e o prestígio no atual governo e, por isso, reivindica a pasta de Relações Institucionais. O senador Lindbergh Farias, também do PT do Rio, é outro colega de partido que os aliados do ministro Luiz Sérgio apontam como um de seus detratores em Brasília.

 

Diante do desconforto de Luiz Sérgio, três dos protagonistas da disputa interna - o presidente da Câmara, Marco Maia, o líder do governo, Cândido Vaccarezza, e Paulo Teixeira - deram entrevista no início da noite para negar a cobiça pela cadeira e tentar mostrar uma unidade que, ao menos até aquela altura, não era fato.

 

‘Confiante’. O ministro passou todo o dia no Rio. Pela manhã, Luiz Sérgio declarou estar "confiante" numa solução para as disputas internas entre as diversas alas do PT interessadas em seu cargo. "Questões como essa se resolvem com conversa. É com diálogo que se chega a um bom resultado, estou confiante nisso", declarou o ministro, antes de iniciar sua participação na reunião Diálogos Federativos da Região Sudeste, num hotel de Copacabana, na zona sul do Rio.

 

Luiz Sérgio ainda repetiu o mote que vem usando nos últimos dias: "Na política, há momentos para se falar, há momentos em que o político fala muito, e há momentos para se calar. O meu momento é de silêncio".

 

O ministro já resistia a falar sobre sua fritura e ainda evitou a imprensa ao final do evento, saindo pela porta dos fundos do hotel. No início da tarde, Luiz Sérvio almoçou na Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomercio), antes de seguir para seu escritório.

 

Com a saída do ministério, Luiz Sérgio deve reassumir seu mandato de deputado federal na Câmara e a presidência do PT no Estado do Rio.

 

Em fevereiro, seguindo a orientação da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, o ministro se afastou do cargo de direção na legenda. A licença de Luiz Sérgio expira em julho e, provavelmente, não vai precisar ser renovada.

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