Ministro nega crise e diz concordar com nota militar

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou ontem que exista alguma aresta entre ele e os militares por conta do lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade, que traz a versão oficial sobre presos políticos que desapareceram no regime militar (1964-1985). Os comandantes das três Forças não compareceram à cerimônia para lançamento da publicação, na quinta-feira, e no dia seguinte divulgaram nota dizendo ser "inaceitável o cala-boca" de Jobim. O ministro afirmou na ocasião que quem reagisse ao livro "teria resposta".Ontem, após participar em Brasília da solenidade de Troca da Bandeira, Jobim declarou encerrado o assunto. Para ele, o fato de setores ligados aos militares reformados terem a memória da época da ditadura pode provocar alguma discordância.O ministro reafirmou que quando o Alto Comando resolveu emitir a nota ele foi procurado. E disse concordar com a opinião de que há duas versões para a história. Para Jobim, a nota "narra um fato". "E volto a repetir que nada mais teimoso do que o fato." Ele lembrou que a meta da Lei da Anistia, de 1979, é promover conciliação e pacificação e refutou sua revisão com base na tese de que houve crime de tortura, segundo a Comissão de Mortos e Desaparecidos. Na cerimônia, seu interlocutor mais freqüente foi o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto.

Brasília, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2003 | 00h00

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