Ministro não precisa ser expert, afirma prefeito do Rio

'Se o sujeito for bom gestor, vai muito bem',diz Eduardo Paes sobre ida de deputado do PRB para a pasta de Esporte

Entrevista com

Eduardo Paes

LUCIANA NUNES LEAL / RIO , O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2014 | 02h01

Um dos principais cabos eleitorais da presidente Dilma Rousseff no Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB), de 45 anos, não faz coro às críticas pela escolha do desconhecido deputado George Hilton (PRB-MG) para o Ministério do Esporte, em um ano decisivo para a organização dos Jogos Olímpicos de 2016. "Quem escolhe ministro é a presidenta", responde.

No entanto, o prefeito cobra mais presença do governo federal na preparação da Olimpíada. "A prefeitura avançou até onde podia, mais que isso não dá. Não tenho como definir se é um Urutu do Exército ou um helicóptero da Polícia Federal que vai fazer a segurança", diz o prefeito. Paes insiste que não é preciso ser expert em esportes para conduzir bem o ministério. "Se o sujeito for bom gestor, vai muito bem. O que a gente quer é mais atuação do governo federal na Olimpíada."

O futuro ministro do Esporte não tem ligação com o tema e é deputado do PRB, que disputou o governo do Rio com o PMDB. Como recebeu esta nomeação?

O PRB não é oposição a mim, está no meu governo, eu tive apoio do senador Marcelo Crivella (candidato derrotado a governador). Nossa relação é excelente. Na eleição, eles fizeram oposição ao governo do Estado. É um direito da presidente escolher seus ministros. O que eu posso fazer é torcer. Não precisa ser expert em esporte. Se o sujeito for bom gestor, vai muito bem. O que a gente quer é mais presença e mais atuação do governo federal na Olimpíada.

O que falta?

A prefeitura veio conduzindo até aqui, mas é fundamental que haja uma presença grande do governo federal. Tenho certeza de que a presidenta tem compromisso com isso. Quem escolhe o ministro é ela. Não admito que ninguém escolha o presidente da Empresa Olímpica Municipal ou o secretário de Esporte.

O que significa concretamente mais atuação do governo federal na Olimpíada?

Aporte de recursos, viabilização das suas tarefas. Existe uma complexidade na operação dos Jogos. Tem alfândega, tem emissão de vistos. Tem segurança pública, possibilidade de ataques terroristas. Eu avancei até onde a prefeitura podia, mais do que isso não dá. Tem áreas em que a prefeitura não tem como avançar.

O esquema de segurança será semelhante ao da Copa?

Tem que perguntar para a presidenta. Esses são temas que a prefeitura não tem como avançar. O Parque de Deodoro, o Parque da Barra, a Vila dos Atletas não eram minha obrigação fazer, mas ninguém estava fazendo. Fui lá e avancei. Por isso está tudo no prazo. Mas não tenho como definir se é um Urutu do Exército que vai fazer a segurança ou um helicóptero da Polícia Federal.

O senhor espera que essas decisões sejam tomadas logo no início de 2015?

Seria bom que já tivessem sido tomadas. Essas decisões não estão nem no Ministério do Esporte. Cabe ao ministério estar atento, cobrar das outras áreas do governo federal. A gente dialoga mais com a Casa Civil do que com o Ministério do Esporte.

Mas justamente no Esporte, no ano anterior à Olimpíada, foi escolhido um político sem experiência no setor. Não é um risco?

Defendi a permanência do Aldo (atual ministro, Aldo Rebelo) porque ele é um quadro qualificado e tinha conhecimento da estrada. Mas a presidente tomou uma decisão e vamos trabalhar juntos com o novo ministro.

O secretário estadual de Esporte vai mudar, será o filho do ex-governador Sérgio Cabral, Marco Antônio, de apenas 23 anos, sem experiência. E o senhor vai trocar o secretário municipal. Está tranquilo com as mudanças?

Secretários de Esporte não tocam Olimpíada. Pega a Matriz de Responsabilidade. Veja o que o Ministério do Esporte está fazendo na Olimpíada. Ele tem que cuidar de preparar nossos atletas de alto rendimento para ganhar medalha, dessa parte eu não estou cuidando. Quem está executando todas as obras de infraestrutura, os estádios é a Prefeitura do Rio. No caso do governo do Estado, quem faz o metrô, quem deve dragar a lagoa não é a Secretaria de Esporte. Quem está fazendo 90% das entregas para a Olimpíada é a prefeitura. Acho que tratei muito mais de Olimpíada com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e com o Arno Augustin (secretário do Tesouro) do que com o Aldo Rebelo. Agora vou tratar com o Joaquim Levy (futuro ministro da Fazenda).

O sr. diz que é natural se candidatar ao governo do Estado em 2018. O PMDB conta com o senhor como possível candidato a presidente. Quais são os planos?

É natural prefeito de capital que sai bem avaliado ser candidato a governador. Mas posso não ser também. Não dá para saber. No final, a presidenta é uma mineirinha que foi lá para o Sul e olha ela aí. Acho que partido tem que ter candidato a presidente, mas, no meu caso, essa possibilidade está longe.

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