Ed Ferreira/Estadão
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Ministro não pode ser 'engavetador' de denúncias, diz Cardozo no Senado

A parlamentares tucanos, titular da Justiça nega motivação política na condução das investigações de formação de cartel; se denúncias envolvessem seus familiares, procederia do mesmo jeito, disse

Débora Álvares e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2013 | 12h54

BRASÍLIA - Ao falar como convidado na audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça do Senado sobre a atuação da Polícia Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nas investigações sobre a formação de cartel no metrô de São Paulo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, descartou o uso político dos órgãos e disse que cabe a ele prezar pela 'isenção'.

"São órgãos republicanos, independentemente do partido que dirija e cabe ao ministro da Justiça zelar para que isso ocorra", disse. "O ministro da Justiça não pode ser engavetador de denúncias. Não esperem de mim um comportamento juridicamente repreensível", completou.

Na semana passada, a oposição chegou a pedir a demissão de Cardozo acusando-o de estar usando o cargo para fustigar tucanos e desviar a atenção das prisões dos condenados do mensalão. A reação ocorreu após o Estado revelar o conteúdo de um relatório escrito pelo ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer. No texto, o ex-executivo diz ter provas de caixa 2 do PSDB e do DEM e cita propina ao chefe da Casa Civil do governador tucano Geraldo Alckmin, Edson Aparecido.

Cardozo disse ter recebido denúncias apócrifas de formação de cartel nos metrôs de São Paulo e Brasília em maio, das mãos do deputado estadual Simão Pedro (PT-SP). Ele as encaminhou ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, para averiguar se era caso para realização de apurações. Todo esse procedimento, segundo ele, está legalmente dentro das suas atribuições.

Sem falar sobre o conteúdo dos documentos, que disse estar sob sigilo, o ministro afirmou que os papéis citavam nomes de pessoas que ele estimava "muito". Mas ele ressaltou que o pedido de análise para a PF é um procedimento padrão que ele seguiria, inclusive, se tivesse denúncias envolvendo familiares dele. Ele citou o fato de, sob a sua gestão, ter sido realizado a busca e apreensão no Escritório da Presidência da República em São Paulo.

Cardozo respondeu ao provável candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), que disse na semana passada que o ministro não teria mais "condições de liderar as investigações". Ele disse que, embora seja o chefe da PF, não lidera nem comanda as investigações. "Pode pedir a investigação, mas quem comanda é o delegado de polícia, que, neste caso, já cuidava disso desde 2008", destacou.

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