''''Ministro não é líder sindical'''', diz presidente

Lula promete rigor com grevistas e adverte colaboradores que costumam fazer promessas a servidores, mas empurram conta para o Planejamento

Vannildo Mendes, Lu Aiko, Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2008 | 00h00

"Ministro não é líder sindical, não vamos confundir as coisas." Com essa frase, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou ontem aos 37 ministros que participaram do primeiro encontro da equipe toda neste ano que parem de fazer promessas aos servidores e, depois, mandar o Ministério do Planejamento negociar. Ex-sindicalista, Lula reforçou a orientação de que o governo está aberto ao diálogo, mantém o que foi negociado com os servidores, mas o cumprimento de promessas e acordos depende da definição do Orçamento.Ele ressaltou, ainda, que o governo vai aplicar com rigor a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impõe restrições às greves no setor público e abre caminho para o corte de ponto dos grevistas. "Vocês precisam se posicionar e não ficar dizendo que o problema é do Paulo Bernardo (ministro do Planejamento)."O aviso foi dado no momento em que os servidores públicos se mobilizam em todo o País para uma greve geral contra o possível corte de reajustes salariais este ano, em decorrência da extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que causou um rombo de R$ 40 bilhões no Orçamento da União.Lula pediu a Bernardo uma avaliação detalhada das pendências salariais com o funcionalismo. O relatório deve conter os aumentos dados a cada categoria no ano passado, as parcelas não pagas de reajustes divididos e os compromissos assumidos em negociações iniciadas antes do fim da CPMF. O ministro foi instruído a marcar uma conversa com os servidores para dizer, em nome do governo, que o diálogo será mantido, mas é preciso cautela. "Não podemos desconhecer que a extinção da CPMF trouxe um quadro novo para a situação orçamentária e financeira", disse ao Estado, ao fim da reunião, o ministro Paulo Bernardo.O presidente também pediu para deixar claro que o governo não vai desrespeitar acordos nem jogar fora o que já foi conversado, mas não tem condições de implementar tudo agora. "Os servidores sabem que temos um problema grande", afirmou Bernardo. Mas a expectativa de perda de aumentos que várias categorias do serviço público davam como certos, deixou as entidades representativas do funcionalismo em pé de guerra. Em reunião com técnicos do Ministério do Planejamento, ontem, dirigentes da Confederação Nacional de Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) avisaram que não abrem mão da reposição de perdas e não vão se intimidar diante das ameaças do governo e das decisões desfavoráveis na Justiça.PALANQUESNa reunião ministerial de ontem, Lula começou a discutir uma estratégia para evitar rachas entre aliados que querem disputar as eleições de outubro nas cidades com mais de 200 mil eleitores. E cobrou empenho de líderes do governo no Congresso e de ministros na busca de consenso nos municípios, especialmente nas capitais. "Ele reafirmou a importância de a base governista trabalhar unida nas cidades mais importantes", relatou o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).Durante o encontro, o presidente deixou claro que só subirá em palanques, no primeiro turno, em municípios onde a base aliada lançar apenas um candidato. "Ele participará de campanha apenas em cidades em que todas as forças que compõem a coalizão estiverem unidas", disse o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. "Sem consenso, ele respeitará as questões locais, os problemas de cada cidade." Lula, segundo participantes da reunião, demonstrou muita disposição de fazer campanha daqui para frente. "Como líder político, ele quer participar intensamente das disputas", afirmou Fontana.No fim de fevereiro, o presidente deve começar um giro pela periferia das grandes cidades para inaugurar ou lançar obras de saneamento básico e habitação. O Ministério das Cidades dispõe, segundo o ministro Márcio Fortes, de R$ 4,4 bilhões para gastar em obras neste ano. Os cortes "cirúrgicos" que o governo vai fazer para compensar a perda da receita da CPMF não inclui as principais ações da pasta, segundo Fortes.

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