Ministro manda investigar delegados da Lava Jato

Ministro manda investigar delegados da Lava Jato

Corregedoria da PF vai apurar postagens feitas por policiais ligados à operação que exaltaram Aécio e atacaram Dilma e Lula durante as eleições

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2014 | 17h24

Atualizado às 22h28


Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou nesta quinta-feira, 13, à Corregedoria-Geral da Polícia Federal a abertura de uma investigação sobre o comportamento de delegados federais da Operação Lava Jato que usaram durante a campanha eleitoral as redes sociais para fazer elogios ao candidato do PSDB, Aécio Neves, e críticas à presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição. Cardozo pediu a "maior celeridade possível" na apuração do caso, revelado nesta quinta pelo Estado.

Conforme informou a reportagem, delegados da superintendência da Polícia Federal do Paraná, onde as investigações estão concentradas, compartilharam propaganda eleitoral de Aécio que reproduzia reportagens com conteúdo da delação premiada do doleiro Alberto Youssef, que está sob segredo de Justiça. O delegado Marcio Anselmo, que coordenou a Lava Jato em seu começo, chegou a chamar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "anta". As manifestações foram feitas em perfis fechados no Facebook.



"Todos os cidadãos têm direito à liberdade de manifestação. Pouco importa se são favoráveis ou contrárias ao governo. Mas, da mesma forma, quem preside uma investigação deve agir com imparcialidade, tem o dever de não endossar vazamentos indevidos nem de orientar investigações a partir dos seus pontos de vista pessoais", disse Cardozo, que convocou a imprensa para tratar do assunto. A direção da Polícia Federal não foi avisada da entrevista coletiva.

"É exatamente para verificar se houve alguma ilicitude, alguma dimensão de atuação que fira a ética, que a Polícia Federal fará uma apuração da conduta desses agentes policiais. Se for comprovada ilegalidade ou ofensa ética, as medidas serão tomadas. Caso contrário, não há o que se falar em punições", disse o ministro, que não quis antecipar quais as eventuais penalidades cabíveis.

Cardozo realizou a entrevista no Ministério da Justiça, ao qual a Polícia Federal é subordinada. "Segundo a reportagem (do ‘Estado’), delegados teriam compartilhado publicações em que há informações vazadas ilegalmente. Eu peço que se apure se isso de fato aconteceu e se existe nesse tipo de situação alguma ilegalidade", afirmou o ministro. "Devemos ter uma apuração pra verificar a conduta. Se a conduta legal foi respeitada, se não houve a crença do delegado passada pra investigação, se a investigação não foi partidarizada, não há obviamente o que se falar."



Para o ministro da presidente Dilma Rousseff, cujo governo está na berlinda diante das revelações da Lava Jato - , se a Constituição foi violada, é necessário tomar as medidas cabíveis. "Nós jamais podemos admitir partidarização de nenhuma investigação. A impessoalidade é uma característica das investigações policiais e das ações administrativas e cabe ao Ministério da Justiça verificar", disse ele.

Horas antes de Cardozo convocar a entrevista em Brasília, integrantes do Ministério Público Federal que atuam no Paraná e investigam a corrupção na Petrobrás em parceria com os delegados federais divulgou nota para defender os colegas da Operação Lava Jato.

‘Criteriosa’. Na avaliação do ministro da Justiça, quem faz investigação policial tem de ser "impessoal, não pode ser partidário, não pode orientar investigação pra prejudicar adversários ou favorecer amigos". "Faremos apuração criteriosa para que possamos chegar a uma conclusão. Vamos aguardar a apuração. É muito ruim prejulgar situações que depois não se confirmem", disse.


Demissão. Cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Cardozo, disse ainda que já entregou uma carta à presidente Dilma Rousseff colocando o cargo à disposição. Na quarta-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que 15 colegas já haviam feito mesmo.

"É mais um gesto simbólico. Minha intenção é cumprir o meu papel até o último dia deste mandato", disse Cardozo.

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