Ministro lança programa para a Amazônia no Rio

O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, inaugurou hoje a Escola Nacional de Botânica Tropical, a primeira do gênero no Brasil e na América Latina. A instituição está ligada ao Jardim Botânico do Rio, transformado na terça-feira em autarquia federal, e ocupa um prédio histórico no Horto, zona sul, que passou por uma reforma de três anos: o Solar da Imperatriz, construído em 1750.No Solar, o ministro participou do lançamento do programa "Negócios para a Amazônia Sustentável", que tem em sua primeira fase financiamento de US$ 5 milhões, dos quais US$ 3,8 milhões doados pela Holanda e o restante pelos países do Grupo dos 7. Outros US$ 5 milhões estão previstos para a segunda etapa do programa.O objetivo do "Negócios para a Amazônia Sustentável" é inserir no mercado brasileiro e mundial produtos gerados por parcerias entre comunidades extrativistas da região amazônica, ongs e a iniciativa privada. Os produtos naturais e ecológicos movimentam US$ 240 milhões por ano em todo mundo a cada ano e seu crescimento, no mesmo período, é estimado em 30% a 40%."Vamos mostrar aos empresários que é possível investir em negócios sustentáveis e obter retorno. A floresta em pé pode gerar mais lucros e renda do que derrubada", afirmou o ministro para quem o modelo econômico tradicional está "falido". Sarney Filho citou uma pesquisa da Fundo Mundial para a Natureza (WWF), segundo a qual a natureza já perdeu 40% da sua capacidade de regeneração. "Devemos refletir sobre os rumos da civilização. O desenvolvimento a qualquer custo é um caminho insustentável", disse.Entre os vários produtos exibidos para empresários e investidores havia um pneu desenvolvido pela Pirelli, o Xapuri, feito com borracha natural 100% brasileira; uma linha de cosméticos da Natura, a Ekos, produzida a partir de matérias-primas vegetais compradas das populações do Amapá e do Amazonas, como andiroba, cupuaçu e guaraná; e artesanatos indígenas, que já são vendidos por uma grande rede de lojas de decoração do Sudeste.A Escola Nacional de Botânica Tropical oferecerá cursos de extensão para alunos de graduação de diversas universidades, mas a ênfase será na pós-graduação, com mestrado e doutorado para botânicos, biólogos, engenheiros agrônomos e florestais e especialistas em educação ambiental. Em novembro, Sarney Filho deve estar de volta ao Jardim Botânico para inaugurar um laboratório biomolecular, com R$ 400 mil em equipamentos capazes de mapear o DNA de plantas e um banco de sementes.À tarde, ainda no Jardim Botânico, Sarney Filho visitou a exposição Pantanal Prosa e Verso, com detalhes sobre o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Pantanal, que receberá verbas de US$ 400 milhões ao longo de oito anos. Na terça-feira(05), o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a liberação de US$ 85 milhões, referentes à primeira fase do programa.

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