Ministro italiano pede extradição de Battisti

Representantes do governo de Berlusconi criticam refúgio e dizem confiar na Justiça brasileira

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

Dois dias depois da suspensão do julgamento do ativista Cesare Battisti no Supremo Tribunal Federal (STF), representantes do governo italiano reforçaram o discurso em favor da extradição do antigo membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Pelo menos três ministros do governo liderado por Silvio Berlusconi criticaram a concessão do refúgio ao italiano ou se disseram confiantes de que as autoridades brasileiras o devolverão a seu país de origem.

Durante uma visita à cidade de Gubbio, o ministro da Justiça da Itália, Angelino Alfano, disse não ver razões para que Battisti seja considerado um preso político. O entendimento de que os crimes cometidos pelo ativista teriam essa natureza ajudou a embasar a decisão do titular da mesma pasta no Brasil, Tarso Genro, de lhe conceder o status de refugiado.

"Battisti não é um preso político, é um assassino condenado por seus crimes. A Itália é um país livre e democrático, que certamente fará com que Battisti possa cumprir a pena segundo os princípios de um país livre e democrático", afirmou Alfano, conforme a agência de notícias italiana Ansa.

Na quarta-feira, o Supremo começou a analisar o caso de Battisti, mas o julgamento foi suspenso após um pedido de vista apresentado pelo ministro Marco Aurélio Mello. A votação está empatada e deverá ser decidida pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. No dia do julgamento, Berlusconi disse confiar na "sabedoria" da Justiça brasileira.

Ontem, o ministro da Defesa na Itália, Ignazio La Russa, preferiu evitar críticas ao governo brasileiro ou ao STF. Em entrevista ao site Affari Italiani, ele disse ter ficado "um pouco preocupado" com a suspensão do julgamento e afirmou que prazos e métodos brasileiros não podem ser alvos de críticas por parte do governo italiano. Mas reforçou o discurso em favor da extradição.

"O que vale agora são os fatos: neste momento, Battisti está preso no Brasil, à espera de uma decisão. E esta decisão, estamos certos, não poderá ser outra além da extradição", declarou. "Não imaginamos nem de longe que o Brasil possa optar por não extraditar Battisti e possa considerar a Itália um país pouco democrático."

"APROFUNDAMENTO"

As afirmações feitas ontem pelos dois ministros italianos se somam a uma nota emitida pelo titular da pasta de Relações Exteriores, Franco Frattini. No documento, ele disse esperar que a suspensão do julgamento de Battisti permita aos ministros do STF se aprofundarem no tema e garanta que pedido de extradição apresentado pelo governo italiano seja acolhido.

"É o meu vivo desejo que o aprofundamento do conhecimento dos atos, que motivou o pedido de suspensão da sessão por parte de um dos juízes, permita que seja acolhido o pedido italiano de extradição, ao qual o governo, as instituições italianas e todas as forças políticas atribuem particular importância", declarou o chanceler. "Nesse sentido, confirmamos nossa plena confiança na magistratura brasileira", conclui a nota.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.