Ministro inicia peregrinação pela obra no São Francisco

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, iniciou nesta terça-feira, 3, em Salvador, o que chamou de "ciclo de debates" para convencer a população da viabilidade e da importância da transposição do Rio São Francisco. "A idéia é mostrar o projeto, para acabar com essa história de ´não vi, não gostei´", afirmou. A escolha por Salvador é estratégica. Na Bahia, reduto eleitoral do ministro - e berço de metade do trajeto do rio -, nem o governador Jaques Wagner, expoente do PT nacional, apóia publicamente a transposição, uma das bandeiras do governo Lula. "Vamos eliminar os pontos considerados polêmicos e tentar convencer o governo estadual a também inserir recursos para a revitalização do rio, já no Orçamento do ano que vem", disse. Geddel acredita que as obras começarão, de fato, no fim deste ano. Até 2010, o investimento seria de R$ 11 bilhões.A peregrinação de Geddel começou com uma entrevista coletiva na sede da Associação Baiana de Imprensa e seguiu em uma palestra para os deputados estaduais na Assembléia Legislativa e em um encontro com o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Majella - publicamente contrário à transposição. Nos locais, o ministro apresentou pacientemente os benefícios do projeto e tentou responder os pontos polêmicos com veemência. "Acredito na proposta e em sua importância", afirma. "Não encabeçaria um projeto que fosse prejudicial à Bahia ou ao Brasil."PolêmicaEm respostas a alguns itens polêmicos, ele afirmou, repetidas vezes, que o rio não terá seu trajeto desviado, que a revitalização de suas águas é prioritária - "antes, durante e depois da instalação das obras" - e que a perda de energia elétrica produzida nas hidrelétricas do São Francisco (que abastecem 70% do mercado nordestino) será ínfima - algo como 0,6% da produção, de cerca de 10,6 mil megawatts.O ministro ressaltou que o volume de água que vai beneficiar as regiões do semi-árido é proporcionalmente tão pequeno que não será possível nem medir, no leito do rio, a diferença. Ele disse ainda que os Estados chamados "doadores" de água, Bahia e Minas Gerais, terão o benefício de receber investimentos e, por conseqüência, de ter maior oferta de trabalho. "Claro que uma obra desse porte é e vai ser sempre polêmica. Quando o projeto da construção de Brasília surgiu, por exemplo, houve grande polêmica", comparou.O ministro aproveitou o corpo-a-corpo, também, para lançar o projeto Água para Todos - que visa a eliminar outro ponto polêmico da transposição - a de que algumas comunidades às margens do São Francisco também têm problemas de abastecimento de água. "Vamos fazer uma varredura de todas as comunidades localizadas a até dois quilômetros das margens do rio e garantir a elas o abastecimento de água de qualidade." Geddel afirmou que vai, pessoalmente, participar da varredura. Ele espera apenas conseguir abrir uma brecha de duas semanas na agenda de ministro recém-empossado para que a viagem seja possível.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.