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Ministro francês ironiza 'urgência capilar' de Bolsonaro

Presidente brasileiro cancelou reunião que teria com Jean-Yves Le Drian e, em seguida, apareceu em 'live' cortando o cabelo

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2019 | 16h15

SÃO PAULO - O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, disse que é do interesse da França "falar com o Brasil, com todos os brasileiros". A declaração seria uma resposta à crítica do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de que o chanceler se reuniu com organizações não governamentais (ONGs). Le Drian também ironizou o que chamou de "emergência capilar" do presidente brasileiro, em referência ao cancelamento de última hora da reunião que teriam, na segunda-feira passada, 29, por "questão de agenda" e ao fato de que, na mesma tarde, Bolsonaro apareceu em uma transmissão ao vivo nas redes sociais cortando o cabelo.

"Todo mundo conhece as restrições próprias das agendas dos chefes de Estado. Ao que parece, houve uma emergência capilar. Essa é uma preocupação que é estranha para mim", declarou Le Drian, referindo-se a sua calvície, em uma entrevista ao Journal du Dimanche, ao ser questionado se o cancelamento da reunião não seria uma humilhação.

Mesmo sem encontrar Bolsonaro, Le Drian classificou como positiva sua visita ao Brasil, que tinha como objetivo fortalecer as relações bilaterais, a defesa dos interesses da França e a preparação das questões climáticas da COP25. "Eu tive conversas com minha contraparte, com a sociedade civil brasileira, particularmente com ONGs, mas também com a sociedade civil econômica. Eu também falei com os governadores de vários Estados. É do interesse da França falar no Brasil, para todo o Brasil", disse.

Ao comentar, na quinta-feira, 1.º, o cancelamento, Bolsonaro admitiu que outros fatores contribuíram. O presidente disse que "ficou sabendo" que o chanceler tinha marcado reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, com representantes de ONGs e governadores do Nordeste. "O que ele veio tratar com ONG aqui? Quando fala em ONG, já nasce um sinal de alerta", afirmou.

Le Drian também foi questionado sobre a confiança de que o Brasil não saia do Acordo de Paris e citou que o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, prometeu a criação de um grupo de trabalho sobre questões ambientais e a implementação do acordo antes da COP25 em Santiago, marcada para dezembro.

"Espero que este processo possa ser implementado. Os compromissos lançados devem ser respeitados. É a razão pela qual o primeiro-ministro, a pedido do presidente, se comprometeu com a implementação de uma comissão de avaliação para assegurar a plena conformidade com o Acordo de Paris, as normas fitossanitárias e a proteção dos nossos setores agrícolas. É uma grande exigência que colocamos. Este relatório, tornado público, servirá de guia para a nossa posição final", disse.

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