Ministro francês é criticado em Porto Alegre

Maior autoridade internacional no Fórum Social Mundial, o ministro de Comércio Exterior da França, François Huwart, fez um rápido discurso no seminário sobre comércio internacional, afirmando que seu país teria uma "só voz" ali e no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Mas, ao término, foi surpreendido pelo argentino Alberto Pujals, do grupo "Movimento pela Esquerda Socialista", ligado ao PT, e diretor da revista político-doutrinária "Correspondência Internacional", que questionou, aos gritos por dois minutos, sua presença no fórum. "O senhor ministro não tem lugar aqui", disse, ponderando que a França enviou tropas para a África, ocupou a Argélia e barra a entrada de produtos agrícolas dos países em desenvolvimento, já que subsidia os agricultores franceses. Parte do auditório, com mais de 300 pessoas, aplaudiu em apoio ao manifestante, enquanto a coordenação do Fórum demonstrava constrangimento já que Huwart, que acompanhava o debate da platéia, foi convidado a falar sobre a decisão francesa de prestigiar o fórum. "Isso é normal", afirmou Huward, já do lado de fora do auditório, explicando que, como deputado, está acostumado a protestos. Em resposta às acusações feitas pelo manifestante, o ministro francês disse que a União Européia retomará, na próxima rodada de negociação, a discussão da redução progressiva das barreiras aos produtos agrícolas. Ele lembrou que a Europa importa mais produtos dos países em desenvolvimento do que os Estados Unidos. "A Europa não é uma fortaleza", repetiu ele três vezes. Huward, que estava em Seattle quando milhares de pessoas protestaram contra a Organização Mundial do Comércio, disse que veio a Porto Alegre para ouvir. "Desde Seattle as coisas mudaram. As questões Norte-Sul são as mais importantes", afirmou o ministro, que abriu o diálogo com as ONGs desde então. A França, diz ele, defende uma reforma da OMC para que a instituição se torne mais transparente, democrática e legítima.

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