Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Ministro fez ‘escritório político’ na empresa

Pimentel recebeu articuladores da campanha ao Senado na sede da P-21

Marcelo Portela e Bruno Boghossian

12 de dezembro de 2011 | 22h30

O escritório da P-21 Consultoria e Projetos, empresa do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), foi usado como quartel-general da campanha do petista ao Senado em 2010. A sede da empresa, em um luxuoso prédio do bairro de Lourdes, área nobre na região centro-sul da capital mineira, abrigou encontros com aliados e reuniões com o núcleo de sua candidatura.

 

O local não era o comitê oficial da campanha, que funcionava na Avenida Afonso Pena, também na região centro-sul de Belo Horizonte. Era neste endereço que Pimentel recebia prefeitos do interior interessados em aderir a sua campanha ao Senado. Também era onde adeptos da candidatura petista faziam reuniões para definir as estratégias oficiais para a disputa.

 

Era na sede da P-21, no entanto, que Pimentel se reunia com alguns dos principais articuladores da candidatura. Entre os frequentadores "assíduos" estava, por exemplo, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta, proprietário da Lanza Comunicação e amigo do atual ministro.

 

Lanzetta ganhou notoriedade nacional quando foi obrigado a deixar a campanha presidencial de Dilma Rousseff devido a denúncias de que ele se encontrava com arapongas ligados a serviços secretos do governo federal encarregados de produzir dossiês contra tucanos. O mesmo caso também levou Pimentel a se afastar temporariamente da campanha presidencial.

 

Um funcionário que trabalhava no edifício onde funciona a sede da P-21 no período da campanha confirmou que aliados políticos de Pimentel frequentavam o escritório, depois de identificá-los em fotografias. Além de Lanzetta, ele afirmou ter visto no prédio o deputado federal Virgílio Guimarães e o secretário de Obras e Infraestrutura da Prefeitura de Belo Horizonte, Murilo Valadares - que está no cargo desde a gestão de Pimentel no Executivo municipal.

 

Hoje, o escritório está praticamente parado. "Na época da eleição, recebiam muitos políticos", afirmou o funcionário. "Também participamos de conversas lá", contou um dos interlocutores do ministro. Ele fez questão de dizer, porém, que quando tiveram início as reuniões políticas no local Pimentel "suspendeu as atividades empresariais".

 

Questionado sobre a consultoria, Pimentel informou que a última nota fiscal da P-21 foi emitida em agosto de 2010, "quando a campanha pegou fogo".

Segundo documentos da Junta Comercial de Minas, a P-21 continua ativa, com objeto social de "consultoria, projetos, palestras, cursos e pareceres nas áreas econômica, tributária e de gestão pública".

 

No entanto, Pimentel consta apenas como sócio, com participação de R$ 19,8 mil no capital social total, de R$ 20 mil. O administrador é Otílio Prado, ex-assessor do prefeito Marcio Lacerda (PSB) , que tem participação de R$ 200 e pediu exoneração do cargo no Executivo na semana passada.

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