Ministro faz menção à disputa entre Serra e Dilma

A cerimônia realizada pelo governo para o anúncio de medidas que facilitam o acesso a informações públicas transformou-se em ato político envolvendo os pré-candidatos à sucessão presidencial, Dilma Rousseff e José Serra, que ouviram, surpresos, sentados à direita e à esquerda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, respectivamente, o ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, do PT, falar em "saudável alternância de poder". A afirmação, primeiro, deixou a ministra meio constrangida, mas, em seguida provocou comentários e risos entre os três.O ministro Vannuchi fez questão de destacar "o simbolismo" de Serra e Dilma estarem ali dividindo a cerimônia. Segundo ele, "a presença das duas figuras que a imprensa aponta como fortes candidatos à Presidência assegura o compromisso que a caminhada (de abertura dos arquivos) é do Estado brasileiro e não importa a sucessão de partidos, de forças políticas no Poder, cuja alternância é sempre saudável".O governador Serra, que chegou de braço dado com Lula, estava muito à vontade quando discursou depois de Dilma. Mas, depois, em entrevista, o governador não só se negou a falar sobre a eleição do ano que vem como não quis opinar sobre a pré-candidatura da petista. "Eu sou o governador de São Paulo e continuo trabalhando. Antecipar campanha não é bom. Não vim aqui nesta condição, nem encaro a Dilma desta maneira. A encaro como ministra da Casa Civil, com quem tenho boas relações pessoais", afirmou.Apesar de Dilma e Serra terem sido perseguidos pelo governo militar, o tom da fala de ambos foi diferente. Enquanto Serra foi contundente, contestando os dados que constam de sua "ficha", citando o Dops, Dilma foi mais contida e fez um discurso mais burocrático. Destacou que a criação de um portal para por à disposição da população documentos sobre a ditadura acaba com a "cultura do segredo de Estado".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.