Ministro ''''escala'''' Lula para conseguir os últimos votos

Presidente tentará convencer os senadores a votar a favor da CPMF

Vera Rosa, Christiane Samarco e Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2007 | 00h00

"Presidente, preciso contar com o senhor nesta segunda à noite e na terça-feira de manhã." O pedido foi feito ontem pelo ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Base Aérea de Brasília. Lula embarcou à tarde para Buenos Aires, para a posse de Cristina Kirchner, e deixou acertado com Múcio e com o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, que ele fará o ataque final aos senadores que ainda resistem a votar a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. O saldo do esforço político do fim de semana, que levou Múcio a trabalhar no Planalto na manhã de sábado, não foi o esperado (porque ainda não há os 49 votos necessários), mas, segundo um interlocutor do governo disse ao Estado, "a situação está melhor do que na semana passada". Pelas contas do Planalto, Pedro Simon (PMDB-RS), Valter Pereira (PMDB-MS) e Expedito Júnior (PR-RO) já foram "convencidos" a aprovar a CPMF. Mas ainda faltariam "uns dois votos". Na viagem para a capital argentina, Lula alinhavou com o ministro Franklin Martins (Comunicação) a abordagem do programa de rádio Café com o Presidente, que vai ao ar hoje de manhã e vai tratar de CPMF e da criação do Banco do Sul.Os operadores políticos do Planalto reconhecem que houve um erro de avaliação. O governo achava que poderia compensar as dissidências da base com votos avulsos da oposição. Agora, vê que, se não vierem todos os votos possíveis da base, vai perder. Por isso, Lula vai procurar pelo menos três senadores de partidos aliados: César Borges (PR-BA), Romeu Tuma (PTB-SP) e Geraldo Mesquita (PMDB-AC). Pode até conversar pessoalmente com senadores do PSDB e do DEM. Enquanto trabalha apoios individuais dos governistas, procurando atender aos interesses dos senadores em suas bases eleitorais, o Planalto aguarda uma proposta dos governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) que permita reabrir as negociações com a bancada do PSDB. A dificuldade é que a área econômica diz que já avançou no que pôde para ampliar o apoio à CPMF no Senado, e os tucanos, irritados com as críticas do presidente à oposição, alegam que a oferta do governo foi tímida e se recusam a tomar a iniciativa de apresentar sugestões para reabrir o diálogo."Se os senadores do PSDB tiverem uma sugestão objetiva, uma proposta factível, eu me comprometo a defender o diálogo dentro do governo", disse o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), um dos aliados que Lula mobilizou para ajudá-lo na reta final. "Se não houver isto, será lamentável. Do ponto em que estamos, o governo chega ao plenário podendo ganhar por dois votos, ou perder por um", completou.Depois de contabilizar os apoios com Múcio na noite de sábado, Campos viajou ontem cedo para o Rio, onde estava Aécio. A negociação caminha para aumento da parcela dos recursos da CPMF destinados à saúde. No governo, trabalha-se com a hipótese de ampliar o porcentual para a área do atual 0,20% para 0,30%.

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