Ministro encaminha projeto de reajuste de professores

O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, pretende enviar, nesta terça-feira, ao Congresso, projeto que concede reajuste salarial médio de 34% aos professores universitários, em greve desde 22 de agosto.A proposta, que representará despesa extra de R$ 250 milhões no próximo ano, foi rejeitada pelo Sindicato Nacional dos Docentes (Andes). Desse total, R$ 150 milhões serão retirados do orçamento do Ministério da Educação (MEC).Previsto para chegar ao Legislativo no final da semana passada, o projeto ficou retido na Casa Civil a pedido de reitores, que esperavam um avanço nas negociações entre sindicalistas e representantes do MEC.Em vez de aumento na Gratificação de Estímulo à Docência (GED), como propõe o MEC, os líderes do Andes exigem a incorporação ao salário da Gratificação de Atividade Executiva (GAE), orçada em R$ 353,5 milhões.A proposta do MEC e a reivindicação dos professores não se contradizem apenas quanto ao montante de recursos. Pelas contas do governo, 8,4 mil docentes com até cinco anos de carreira não teriam reajuste com a incorporação da GAE, como quer o Andes.?Essa proposta é ruim para as universidades e boa para os aposentados?, disse o ministro Paulo Renato Souza. Na avaliação do ministro, a greve só não acabou devido à intransigência dos sindicalistas.Paulo Renato culpa o Andes pela demora em fechar um acordo, o que teria levado o Congresso a recuar na busca de recursos para a incorporação da GAE. ?O Andes tem apenas objetivos políticos?, reclamou.O texto do acordo, que desagradava ao MEC e representava o fim da paralisação, chegou a ser escrito. Mas o líder do Governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), não aceitou remanejar dinheiro do Orçamento de 2002 para pagar os reajustes salariais.O presidente do Andes, Roberto Leher, admite que a incorporação da GAE atenderá basicamente aos docentes aposentados ou com mais tempo de carreira. ?Mas mesmo se a GAE for incorporada, os docentes em final de carreira ou os aposentados terão menos reajustes nos últimos três anos que os professores com pouco tempo de universidade?, alega.Pelas contas do sindicalista, a incorporação da GAE representaria, de 1998 para cá, um aumento médio de 38% nos salários dos aposentados e professores com mais anuênios. No mesmo período, a correção salarial de um doutor adjunto teria sido de 56%. ?O aumento da GED produz distorções salariais entre ativos e inativos.?O MEC, por sua vez, afirma que o aumento da GED é uma forma de incentivar a atuação dos professores em sala de aula. A proposta atende especialmente aos profissionais com mais títulos, como é o caso dos professores com doutorado. ?Sabe quanto um doutor adjunto em início de carreira teria de reajuste (com o pedido do Andes)? Nada?, disse, nesta segunda-feira, o ministro Paulo Renato Souza.

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