DIDA SAMPAIO|ESTADÃO
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Ministro dos Transportes pede R$ 5 bilhões para tapar ‘rombo’

Maurício Quintella (PR) diz que falta dinheiro para o Dnit e a Valec de pasta comandada por seu partido desde 2004

André Borges, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2016 | 17h06

BRASÍLIA - O ministério dos Transportes, Maurício Quintella (PR-AL), afirmou haver um rombo de R$ 5 bilhões na estrutura da pasta que engloba as secretarias de Portos e de Aviação Civil. Segundo ele, foi feito um pente-fino em custos operacionais, obras em andamento e serviços básicos que precisam ser executados neste ano.

Procurado, o ex-ministro Antonio Carlos Rodrigues (PR) negou que haja o “rombo”. Segundo ele, o que ocorreu neste ano foi um corte drástico de Orçamento. Nos seus cálculos, haveria recurso disponível até setembro. A partir daí, disse, seriam necessários mais R$ 2 bilhões para fechar o ano.

Nas contas de Quintella, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec, responsáveis pelas estradas e ferrovias federais, precisam de R$ 4 bilhões para resolverem seus problemas. O R$ 1 bilhão restante é necessário para concluir pequenas obras e garantir serviços de manutenção em portos e aeroportos públicos, além de cobrir os custeios de cada órgão que passou a integrar o ministério, como as parcelas de outorga de aeroportos nos quais a Infraero tem participação.

“Jamais estimei um valor alto como esse de R$ 4 bilhões para Dnit e Valec”, declarou Rodrigues. O ex-ministro disse também “não entender” de onde saiu o cálculo de Quintella.

Ao Estado, o ministro pediu uma revisão do Orçamento. “Hoje a restrição financeira imposta ao ministério é muito grande. O Dnit tem praticamente R$ 1 bilhão para passar até o resto do ano, é um recurso que acaba em agosto e que mal dá para manter 50% da malha rodoviária com serviços de manutenção”, comentou.

Feudo. Desde o início da gestão petista, em 2003, o Transportes sempre foi um feudo do PR, partido de Quintella, com extensões nas diretorias do Dnit e da Valec. Nas gestões anteriores, porém, havia alinhamento com o governo. A chegada de Quintella ao ministério, no entanto, marca a chegada de um parlamentar da Câmara, onde o PR sempre teve uma postura de oposição ao governo Dilma.

O cálculo de Quintella foi apresentada na noite de quinta-feira ao ministro do Planejamento, Romero Jucá. “Não pedimos nada excepcional, apenas o necessário para manter o ministério funcionando.”

Nos últimos dois anos, o Dnit, que sempre foi dono de uma dos maiores caixas do Orçamento federal, foi alvo de um estrangulamento financeiro. Neste ano, a autarquia recebeu autorização para gastar R$ 6,5 bilhões, mesmo volume que teve no ano passado e praticamente metade do que chegou a contar entre os anos de 2010 e 2014.

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