Ministro dos Transportes não agirá contra pedágio

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, disse nesta quinta-feira que não tomará providência imediata em relação ao pedágio clandestino cobrado pelos índios tenharins num trecho da Transamazônica. "Nenhum caminho é melhor do que o do diálogo", afirmou ele, frisando que quer primeiro ouvir as explicações dos índios. Conforme noticiou nesta quarta-feira o Estado, o pedágio vem sendo cobrado há dois meses no quilômetro 145 da BR-230 e varia de acordo com o veículo, chegando a R$ 60 para caminhões. Passos não falou em prazo para a regularização do tráfego no local. Na avaliação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), o pedágio reflete a situação precária dos tenharins. "Foi uma atitude de desespero dos povos que vivem naquela região, sem repasse legal e diante do desdém da Funai", afirmou o assessor jurídico, Carlos Pantoja. Pantoja não acha viável a legalização do pedágio, como reivindicam os índios. Ele considera possível, porém, uma indenização da União, pois a estrada atravessa a terra dos índios tenharins. Antes do pedágio, eles fizeram um bloqueio de dez dias na via, em protesto pela falta de repasses para comida e medicamentos. Como houve providências, segundo a Coiab, os índios instalaram duas cancelas feitas de tronco, num intervalo de dois quilômetros, e começaram a cobrança irregular. Bloqueio Nesta quarta-feira, um grupo de 300 caiovás e terenas bloqueou, durante quatro horas, a BR-262 em Mato Grosso do Sul - que liga Campo Grande a Corumbá - em protesto contra a Polícia Federal. Na terça-feira, agentes invadiram o Centro Referencial da Cultura Terena, em Miranda, no Pantanal, e apreenderam todo o artesanato indígena, inclusive arcos e flechas, expostos para comercialização. A PF alega que foram usados subprodutos da fauna e flora nativas, o que configura crime contra o meio ambiente.

Agencia Estado,

01 Dezembro 2006 | 11h11

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