Jake Spring/Reuters
Jake Spring/Reuters

Ministro do Turismo é exonerado para tomar posse na Câmara, diz assessoria

Decreto foi assinado na terça-feira, um dia após o ministro ser acusado de participação em suposto esquema de candidaturas 'laranjas' em Minas Gerais; ele volta ao cargo na quinta

Redação, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2019 | 04h46
Atualizado 06 Fevereiro 2019 | 10h55

O presidente Jair Bolsonaro exonerou Marcelo Henrique Teixeira Dias, mais conhecido como Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), do cargo de ministro do Turismo. O decreto foi publicado na edição desta quarta-feira, 6, do Diário Oficial da União, e não trazia justificativas para a medida. Procurada, a assessoria informou que ele foi exonerado do cargo apenas para tomar posse do mandato de deputado federal nesta quarta-feira, 6, e depois retornará ao ministério.

Álvaro Antônio foi reeleito deputado federal em 2018 com a maior votação do Estado: 230.008 votos. Ele retornará ao cargo no Executivo na quinta, depois de cumprir a formalidade na Câmara, assim como ocorreu com os ministros Onyx Lorenzoni (DEM-RS), da Casa Civil, Tereza Cristina (DEM-MS), da Agricultura, e Osmar Terra (MDB-RS), da Cidadania. Os três foram exonerados na sexta-feira, tomaram posse como deputados, participaram da eleição da Mesa Diretora da Câmara e já foram renomeados para a equipe do presidente Jair Bolsonaro.

O ministro não pôde assumir o cargo de deputado na última sexta-feira, junto com os outros 512 deputados, porque estava de atestado médico. Um de seus assessores disse que o deputado passou por um procedimento cirúrgico e ainda está se recuperando. Segundo a Câmara, ele teria até 30 dias para tomar posse na Casa, como prevê a lei.

Relembre

A exoneração foi assinada por Bolsonaro na terça-feira, um dia depois de o jornal Folha de S. Paulo denunciar que Álvaro Antônio teria participado de um suposto esquema de candidaturas "laranjas" em Minas Gerais com o objetivo de desviar recursos eleitorais e beneficiar empresas relacionadas ao seu gabinete.

Segundo a reportagem, quatro deputadas do PSL teriam recebido R$ 279 mil do comando nacional do partido de Bolsonaro para suas campanhas. Apesar de ficarem entre as 20 candidaturas que mais receberam recursos no País, elas tiveram votações baixas – menos de mil votos cada -, o que indica a possibilidade de que tenham sido candidatos de fachada.

Ainda de acordo com a denúncia, do total recebido, R$ 85 mil teriam sido usados para contratar serviços de quatro empresas de assessores, parentes e sócios de assessores de Álvaro Antônio.

Na segunda-feira, ele usou o Twitter para rebater as acusações e afirmou que a distribuição do fundo partidário do PSL em Minas Gerais cumpriu as exigências legais. Na ocasião, o então ministro disse que foi "alvo de uma matéria que deturpa os fatos e traz denúncias vazias", além de ser uma tentativa de desestabilizar o governo. "Reforço que a distribuição do Fundo Partidário do PSL cumpriu rigorosamente o que determina a lei. Todas as contratações da minha campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral", acrescentou.

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