Ministro do Trabalho diz que 'em qualquer lugar tem irregularidades'

Manoel Dias defendeu o seu partido, o PDT, ao comentar as implicações políticas da Operação Esopo, da Polícia Federal; investigação provocou o pedido de demissão do número 2 da pasta e a prisão de um assessor

Eduardo Bresciani, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2013 | 18h51

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, defendeu o seu partido, o PDT, e afirmou que irregularidades como as apontadas pela Polícia Federal na Operação Esopo existem “em qualquer lugar”. Em entrevista nesta terça-feira, 10, ele negou proximidade com o assessor Anderson Brito, que se entregou à Polícia Federal, e afirmou que não demitiu de imediato o secretário-executivo da ministério, Paulo Roberto Pinto, porque precisava “amadurecer” o caso.

Pinto pediu demissão nesta terça após ser ouvido pela PF. A investigação dos policiais federais aponta suposto envolvimento dele em esquema de desvio de verbas de convênios com a organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC).

Manoel Dias pediu ainda que estados e municípios suspendam os repasses de convênios com o Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania (IMDC) com recursos da pasta.

A Operação Esopo, deflagrada ontem pela PF, desbaratou suposto esquema para fraudar parcerias do ministério com o IMDC, baseado em Minas Gerais, mas com atuação em diversos Estados. Segundo a PF, os envolvidos assediavam funcionários públicos para obter convênios, cujos serviços eram superfaturados ou nem sequer prestados. Há suspeita de que até R$ 400 milhões possam ter sido desviados.

Trabalho. O PDT começou a comandar a pasta com Carlos Lupi, presidente da legenda. Ele acabou demitido no processo de faxina no início do governo Dilma Rousseff após diversas denúncias. Brizola Neto, suplente de deputado pelo partido, assumiu a pasta, mas como não tinha trânsito com a cúpula acabou trocado por Manoel Dias numa tentativa da presidente de contar com o apoio da legenda. O ministro afirma que a prisão de um assessor e a condução de seu braço direito para prestar depoimento não fragilizam o PDT e o trabalho realizado na pasta.

“Em qualquer lugar tem irregularidades, não só no Ministério do Trabalho”, disse Manoel Dias em entrevista coletiva. “Nós somos um partido ficha limpa”, concluiu, afirmando que não há comprovação de atos indecorosos ou de corrupção de seu partido na pasta.

O ministro pediu informações à Polícia Federal sobre as investigações realizadas. Disse que solicitou a estados e municípios que tem convênios com o IMDC para suspender o repasse de recursos. Segundo a pasta, os estados do Espírito Santo e Ceará e o município de Serra (ES) tem convênios em montante de R$ 36,2 milhões para o treinamento de 19,5 mil trabalhadores com recursos do ministério.

Não está em vigor nenhum convênio direto da pasta com o instituto, informou o ministério, que afirma que em 2010 e 2011 foi repassado R$ 3,1 milhões ao instituto em convênios diretos, já encerrados. Há ainda outros contratos mais antigos, mas a pasta não soube informar a quantidade e os valores envolvidos.

Manoel Dias afirmou que Nilton Fraiberg Machado, até então subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração, ocupará em caráter interino a secretaria-executiva da pasta. Disse que vai buscar um nome técnico para a sucessão definitiva de Paulo Pinto.

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