Ministro do TCU tem filho citado no caso

Luiz Henrique Bezerra, que seria intermediário de supostas doações ilegais, é filho do ministro Valmir Campelo

O Estado de S. Paulo,

28 de março de 2009 | 20h20

Citado como intermediário de supostas doações ilegais da empreiteira Carmargo Corrêa para políticos, Luiz Henrique Maia Bezerra, diretor de Relações Institucionais da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), em Brasília, é filho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Valmir Campelo.

 

O TCU é responsável pela fiscalização de obras públicas, entre as quais as tocadas pela empreiteira. O ministro, por exemplo, é relator da auditoria que investiga supostas irregularidades nas obras da refinaria do Nordeste (PE), que tem participação da Camargo Corrêa.

 

Escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Castelo, segundo reportagem da revista Época, mostram Luiz Henrique citado em conversas entre diretores da Camargo Corrêa como sendo o responsável pela distribuição de recursos aos políticos. A PF suspeita que as doações foram ilegais.

 

No dia 15 de setembro de 2008, duas semanas antes das eleições municipais, Pietro Giavina Bianchi diz a Fernando Botelho, ambos executivos da empreiteira, que deu a ordem a Henrique: "(...) Avisei ele que tava sendo enviado para Brasília esse dinheiro... E para... Justamente fazer a... Distribuição... Eles que resolvessem o que fosse fazer, né?".

 

O outro intermediário mencionado nas conversas entre diretores da empreiteira é Guilherme Cunha Costa, ex-diretor da Fiesp e atualmente representante da Camargo Corrêa nos contatos com o Congresso. Entrevistado pela revista, Campelo disse que o filho "é o representante da Fiesp em Brasília, recebe e cumpre ordens em Brasília, dentro da absoluta legalidade".

 

De acordo com as investigações, Luiz Henrique intermediou uma doação de R$ 300 mil para a campanha do DEM do Rio Grande do Norte nas eleições municipais do ano passado. O contato teria sido feito com o líder do partido no Senado, Agripino Maia. O DEM diz que a doação foi legal, registrada e com recibo.

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